Ad Iesum per MariamTerço tradicional no contorno do Brasil, com a Medalha de Nossa Senhora das Graças
CONSCIÊNCIA CATÓLICAInteligência, vontade e coração
Veritas liberabit vosSol de Santo Tomás de Aquino
CONSCIÊNCIA CATÓLICA

“Quem é minha Mãe?”

Na Sagrada Escritura é dito: “Naquele tempo, enquanto Jesus estava falando às multidões, sua mãe e seus irmãos ficaram do lado de fora, procurando falar com ele. Alguém disse a Jesus: ‘Olha! Tua mãe e teus irmãos estão aí fora e querem falar contigo.’ Jesus perguntou àquele que tinha falado: ‘Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?’ E, estendendo a mão para os discípulos, Jesus disse: ‘Eis minha mãe e meus irmãos. Pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.’” (Mt 12,46-50).

Nessa passagem há também algumas verdades naturais implicadas, entre elas as seguintes: (I) Uma mesma coisa ou um mesmo conteúdo intencional da mente pode ser dito de diferentes modos e por diferentes razões. (II) A linguagem humana é linguagem de termos unívocos, análogos e equívocos. (III) O dizer humano é sempre querer dizer, pretender dizer.

Como temas relevantes, nessa passagem há o tema das múltiplas relações possíveis com Cristo, o tema da relação especial de Maria Santíssima com Cristo e o tema dos modos de Cristo falar segundo as circunstâncias.

Pelo que é dito por Cristo, são possíveis diferentes relações com o Deus-Homem no âmbito espiritual, sob diferentes aspectos e por analogia com relações humanas terrenas, porém incluindo todas em comum o cumprimento da divina vontade. Assim, os discípulos de Jesus, enquanto fazem a vontade do Pai por amor, são como que seus irmãos, irmãs e mães. Com isso, Cristo enuncia algo atual em alguns e potencial em outros, segundo a Vontade de Deus e a natureza das coisas.

E, como as palavras que compõem essa expressão podem ter diferentes significados, a própria expressão “meus irmãos e minha mãe” pode ter diferentes sentidos e, de fato, os tem na primeira e na segunda ocorrência, enquanto sentidos análogos. Os irmãos de Cristo não significam outros filhos biológicos de Maria e, de modo algum, a afirmação de Cristo equivale a uma negação de sua Mãe, o que não faz sentido à luz do mandamento de “honrar pai e mãe”; trata-se, antes, de uma ampliação de significado em razão de quem Ele é e do que veio produzir entre os homens.

A respeito da relação especial de Maria com seu divino Filho, devem-se considerar as palavras do santo anjo Gabriel: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo. (…) O Espírito Santo virá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o Santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus.” (Lc 1,28.35); e as palavras da Mãe divina: “O Poderoso fez por mim maravilhas, e Santo é o seu nome. (…) Eis que, desde agora, todas as gerações me chamarão bem-aventurada.” (Lc 1,48-49).

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