Sabedoria Divina, verdadeira teologia e falsa teologia

Os conteúdos da divina revelação presentes, por exemplo, nas Sagradas Escrituras, na medida em que são realmente verdades reveladas, significam uma ampliação da consciência humana com relação à totalidade do ser, à realidade em toda a sua extensão. Com eles de certo modo passamos a ter uma consciência que antes não tínhamos, a consciência de realidades até então pelo homem desconhecidas ou muito pouco conhecidas; realidades que fazem parte do ser, e não são puras ilusões socialmente admitidas.

Assim como a sociologia, ciência a respeito da sociedade, está contida na própria sociedade, a teologia está contida nas realidades, nos modos de ser a respeito dos quais é uma ciência. Ambas, com relação aos homens, estão como que em potência, como que aguardando para ser desveladas e ditas. Neste sentido, o que digo sobre a sociedade em uma e sobre Deus na outra só vale se corresponde ao que está contido na sociedade e em Deus, caso contrário são ficções, invencionices.

Se há verdadeira teologia, parte da sabedoria, há também falsa teologia, tolices teológicas, ficções teológicas, que só existem na mente de teólogos de mente obscurecida e na mente daqueles que os acompanham, um caso de “cegos que guiam cegos”. A este respeito, um critério importante ensinado pelo próprio Cristo, o Logos Divino Encarnado, a Sabedoria Eterna encarnada, é: “Pelos frutos conhecereis”. Quer dizer, uma suposta teologia que significa uma perversão, uma negação de realidades da fé, não pode ser verdadeira teologia, e neste caso não tem valor do ponto de vista do que realmente importa ou é mais importante, que é a compreensão da fé, a ampliação da consciência, a salvação eterna, a santificação. Consequentemente, toda “teologia” que perverte conteúdos da fé, que muda a essência da verdadeira religião, é falsa, e deve ser rejeitada e combatida como tal.

Um modo de tal perversão é a aceitação de modismos intelectuais de conteúdo falso ou apenas hipotético, disfarçados de vestes científicas. Assim, contaminados por “cientificismos”, “sociologismos”, “psicologismos”, “historicismos”, dentre outros, trocam alguma verdade de sempre da Santa Igreja Católica por enganos. Exemplos não faltam. Um é a suposta distinção entre o “Jesus histórico” e o “Cristo da fé”, na qual está contida a negação da Ressureição de Cristo. Falsa teologia, falsa cristologia, consequentemente um falso Cristo. Perversão que perverte, engano que engana.

São Paulo, mestre contra a falsa sabedoria, em oposição a falsos doutores que negavam a Ressureição, diz que se Cristo não ressuscitou vã é a fé cristã. Quer dizer, a Ressureição enquanto fato é tão importante que negá-la significa necessariamente negar outras partes importantes do verdadeiro cristianismo, que assim perde totalmente o sentido. Para mencionar dois exemplos, ela torna sem sentido o carregar a Cruz com esperança da eterna felicidade e faz do Cristo ou um louco ou um mentiroso que teve o mesmo destino dos outros homens, vencido pela morte. Aqui a negação de São Paulo tem como razão as consequências, e pelas consequências pode-se dizer que tem razão.

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