Profetas de Deus e “profetas” da serpente

Na vida humana como um todo, o que inclui a vida religiosa, é importante possuir na medida do possível a consciência do que é verdadeiro e do que é falso. Cristo, por exemplo, ensina ter cuidado com os falsos profetas, o que supõe haver verdadeiros profetas.

Verdadeiro profeta é, para mencionar um caso, São João Batista, e enquanto tal pode ser considerado como um modelo para reconhecer um falso profeta, por oposição. Se é assim, certas oposições a São João Batista significam a impossibilidade de ser verdadeiro profeta. O precursor é aquele que endireita, que prepara o caminho do Senhor, enquanto o falso faz o contrário. “Pelos frutos conhecereis”.

Um falso profeta é alguém que está revestido de uma roupagem de valores sagrados, que nele são como vestes que encobrem sua verdadeira face, a maldade que há em sua nudez. É aquele que supostamente fala em nome da Divindade, do bem, dos valores divinos, mas que diz falsidades que não poderiam vir do Deus Uno e Trino. Assim, um critério importante para reconhecer um falso profeta são as verdades importantes que nega e as falsidades importantes que afirma.

Quanto mais importante algo é, mais grave é a sua perversão, sua falsificação. Por exemplo, se nas Sagradas Escrituras há palavras divinas, ditas pelo próprio Deus, então a perversão delas é de grande importância. Neste sentido pode-se dizer como o profeta Isaias: “Ai daqueles que ao mal chamam bem, e ao bem, mal, que mudam as trevas em luz e a luz em trevas, que tornam doce o que é amargo, e amargo o que é doce!”

Disse Deus ao profeta Jeremias: “São mentiras que proferiram os profetas em meu nome. Não os enviei, não lhes dei ordem, e nem mesmo lhes falei. Visões de mentiras, adivinhações vãs, invenções de suas mentes, eis o que profetizam!”… “Acerca dos profetas que em meu nome proferem oráculos, quando missão alguma lhes confiei, e que proclamam não haver espadas, nem fome nesta terra, serão eles que hão de perecer pela espada e pela fome.”

Por esta e por outras, com prudência e sem malícia, importa considerar certas “figuras religiosas”, certos “líderes religiosos” como possíveis falsos profetas, falsos sábios.

O Ser de Deus, a Essência Divina Vivente, a Santíssima Trindade, exclui qualquer possibilidade de maldade. O verdadeiro Deus, por essência, é a plenitude do Ser, da bondade, do amor. Bondade e verdade estão essencialmente vinculadas, de tal modo que são como as duas faces da mesma moeda. A verdade é bondade e a bondade é verdade; e o mesmo se pode dizer da maldade com a falsidade.

Nas Sagradas Escrituras, o Divino Cristo fala de uma “geração má e perversa” e São Paulo fala de “uma sociedade maliciosa”. São maliciosas em parte pelas falsidades que culposamente abraçam. São perversas porque pervertem, adulteram, coisas criadas por Deus, desviam coisas importantes do seu verdadeiro ser-valor, porque ouvem demônios e inventam ídolos. Como Adão e Eva, de novo e de novo comem do fruto da “árvore do conhecimento do bem e do mal”, e de novo vão pelo caminho da perdição, no caminho em que ficam deixados a si mesmos, sem Deus. Fazem como adverte o profeta Isaias: “Ai daqueles que ao mal chamam bem, e ao bem, mal, que mudam as trevas em luz e a luz em trevas, que tornam doce o que é amargo, e amargo o que é doce!”

No meio dessas gerações, a Misericórdia Divina envia seus profetas. Assim como há a oposição entre a verdade e a falsidade, há a oposição entre o profeta e a geração má e perversa de seu tempo. São João Batista é o príncipe dos profetas, simboliza a todos. Foi degolado: sem a cabeça não há mais a consciência nem a boca que diz. Simbólico, pois o profeta é de certo modo a consciência divina entre os homens, aquele que em nome de Deus diz toda a verdade e assim move as trevas. Uma parte da geração perversa ouve e se converte, se volta para a verdade, para a bondade, e a outra permanece na ilusão, chamam de mau o profeta e o degolam. Matam o profeta, dizem não a Deus, mas no fundo quem realmente sai perdendo são eles mesmos. Sem conversão, o destino que os aguarda é o destino de seu mestre, a Serpente – que no inferno, no inferior, deixado a si mesmo, na sua miséria, vive de maldade, se alimenta de perversidade, sem nunca se saciar, eternamente infeliz.

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