A Verdadeira Igreja da Sabedoria Encarnada, da Divina Misericódia

Tão importante quanto conhecer a verdade é permanecer na verdade conhecida, manter-se fiel a ela. O sábio em parte é aquele que sabe o que passa e sabe o que permanece e, por esta razão, mantém suas convicções, sua verdadeira consciência. Um dos significados disto em linguagem filosófica é: sabe o que é contingente e sabe o que é necessário – sempre o mesmo, eterno neste sentido. O quadrado, enquanto essência-logos, é sempre o mesmo, sempre uma figura geométrica com quatro lados iguais e quatro ângulos de 90º. Isto é essencialmente necessário no ser do quadrado, algo sem o qual ele não seria o que é, mas seria outra coisa, se alguma coisa fosse.

Se é assim, então não é verdade que tudo muda: há a realidade das coisas imutáveis, a primeira delas a própria Essência Divina Vivente. A este respeito diz o filósofo Leibniz: “O conhecimento das coisas eternas e necessárias nos distingue dos simples animais e nos põe na posse da razão e das ciências, elevando-nos ao conhecimento de nós mesmos e de Deus”. Assim, parte importante da sabedoria humanamente alcançável é o senso de eternidade. Isto com relação ao homem, pois em si mesma a sabedoria é a eternidade, dois nomes para Deus. Sobre isto diz São Boaventura que todos os atributos de Deus “podem reduzir-se a três, a saber: a eternidade, a sabedoria e a felicidade; e estas três a uma: a sabedoria, na qual se incluem a Mente que gera, o Verbo gerado e o amor que une a ambos, e nos quais a fé ensina que consiste a Santíssima Trindade”.

Pelo menos algumas mudanças que em nome do progresso os “progressistas” querem para a Igreja Católica é falso progresso, pois significa na realidade degradação, perversão, desfiguração. Isto se torna evidente, inegável, quando consideramos, dentre outras coisas, as seguintes razões.

Primeiro, sobre o progresso em si mesmo. Como mostra a experiência, a semente de macieira e o embrião humano progridem. O progresso da primeira é uma árvore cheia de maçãs saborosas e o progresso do segundo é, em parte, uma pessoa madura cheia de inteligência. Isto significa que todo progresso, que é Um enquanto essência e Múltiplo em seus vários casos, é sempre o progresso de algo, significa sempre a atualização, tornar atualmente existente, possibilidades positivas de um ser, significa sempre a passagem do menos para o mais – que nele sempre esteve contido totalmente, no caso na macieira ou no embrião. Assim, sem o ser e a essência não há em hipótese alguma progresso. Progresso exige conservação, permanência. Progredir é crescer, é o crescimento na essência, crescimento naquilo que se é. Para Deus, por exemplo, não há progresso, crescimento, evolução, pois Ele já é em ato, em existência, tudo quanto é essencialmente.

Segundo, a mudança não é necessariamente algo positivo. A queda de Lúcifer, Adão e Eva foi uma mudança, no caso uma perda, uma degradação. Então, nem toda mudança é progresso, embora todo progresso signifique mudança, passagem no ser. Se é assim, nem toda mudança na Igreja do Divino Jesus, simplesmente por ser mudança, por exemplo uma alteração do que é “tradicional”, é necessariamente positiva. Na Igreja é tradicionalmente positivo o Credo Católico, os dogmas, as verdades nele contidos, que é parte importante de sua essência tal como fundada pelo próprio Cristo Senhor – que a este respeito disse a seus apóstolos “ide e ensinai”. Se ele pertence à essência, então é imutável, pois mudar a essência de algo é torná-lo outra coisa. A triangularidade é sempre a mesma – sempre três ângulos – e a quadrangularidade é sempre a mesma, sempre quatro ângulos. Se eu mudo um triângulo ou um quadrado removendo um de seus ângulos, já não é mais triângulo nem quadrado. Por esta e por outras, um dos efeitos de certas mudanças é o cisma, a separação.

O amor de Deus pelos homens, mostrado por Cristo, o Verbo Encarnado, significa em essência que Deus concede ao homem o máximo que Ele poderia doar a esta sua criatura: a própria Divindade. É como se Deus dissesse: “Eu sou Divino, o único e verdadeiro Deus, e vou torná-los divinos, participantes do meu Ser, da minha Essência Divina Vivente, da minha vida íntima trinitária, da minha riqueza inesgotável, da minha felicidade sem fim. Nisso não deixo de ser Deus, o que é impossível, e vocês deixam de ser apenas homens. Eu não ganho nada e vocês ganham tudo. Assim sou Eu, o Deus que é puro amor, infinita misericórdia, bondade sem fim. E o caminho para isto na vida terrena é o meu Filho e seu Corpo Místico, a Santa Igreja Católica.”

Relatos de Santa Faustina a este respeito, presentes em seu Diário. Disse Jesus a ela: “Minha filha, medita sobre a vida divina que está contida na Igreja, para a salvação e a santificação da tua alma. Reflete sobre como está aproveitando estes tesouros de graças, estes esforços do Meu amor”. Em outra vez disse: “Diz, Minha filha, que sou puro Amor e a própria Misericórdia… Tudo que existe está contido nas entranhas da Minha misericórdia, de uma forma mais profunda que a criança no ventre de sua mãe. Quanto dor Me causa a falta de confiança em Minha bondade. Os pecados que Me ferem mais dolorosamente são os de desconfiança”.

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