Nosso Senhor dos Passos: Cristo e o sofrimento frutuoso

Segunda-feira santa: Nosso Senhor dos Passos. Cristo, o Verbo Encarnado, é a plenitude da verdadeira religião, da relação do homem com Deus, no caso uma relação de comunhão amorosa, de união com a Essência Divina Vivente, de participação na vida íntima da Santíssima Trindade, como o esposo com a esposa, transbordante de delícias divinas, experimentando o divino perfume, êxtase para o coração, inebriante para a alma. 

Na segunda-feira santa, nas vésperas do sofrimento redentor e do alegre ressurgimento, Cristo nos é apresentado como “Senhor dos Passos”, aquele que livremente e pacientemente carrega a pesada Cruz pelo tempo necessário. Senhor é aquele que tem domínio-poder sobre algo. Passos significa paixão, sofrimento. Assim, Jesus Cristo é aquele que domina o sofrimento, que o vivencia virtuosamente, em união com o Pai, o Onipotente, e o Espírito Santo, o Divino Amor, com a consciência do seu verdadeiro significado, Ele que é a Sabedoria encarnada, “rosto divino do homem e rosto humano de Deus”.

A consciência de Cristo quanto ao sofrimento diz que (1) “tudo que vem de Deus só pode ser fruto do seu amor onipotente”, e por isto eu, uma criatura nascida de sua Divina Misericórdia, posso confiar Nele, se pecador abandonando o pecado e voltando à vida verdadeira, e se justo mantendo-me fiel; que (2) “após a dor vem a alegria”, e que o sofrimento, embora possa se opor ao meu prazer corporal, não se opõe à minha alegria, a alegria espiritual que nos é oferecida na vida em Cristo, mesmo em meio à paixão; e que os (3) sofrimentos passageiros dessa vida é pouco comparados ao grande sofrimento do inferno, que significa perder para sempre, por escolha própria, por exercer a maldade, o Supremo Bem, que é Deus mesmo, e é pouco comparados ao grande bem da Vida Eterna, da alegria sem fim na presença de Deus.

Como exercício da virtude, como em Jó, Sara, Tobias e José do Egito, a Sabedoria Divina vivente ensina aceitar, enfrentar e superar virtuosamente, frutuosamente, os sofrimentos que a Divina Providência permite e envia para o meu próprio bem.

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