Maria, Senhora das Dores ontem e hoje

Parte da terça-feira santa é a memória de Nossa Senhora das Dores. A Semana Santa tem como eixo o Cristo Senhor, no mistério da sua Paixão, Morte e Ressureição, algo que dá sentido a fé católica, que tem no Credo uma síntese daquilo que lhe é de máxima importância. Porém, nesta semana há momentos para lembrar-se da Santíssima Virgem, Maria, a Mãe do Salvador. Catolicamente, ensinados pela Igreja que é Mestra da verdade, pode-se dizer que esta lembrança não ofusca de modo algum a importância de Jesus, do Deus Uno e Trino, pois Maria, assim como a lua em sua relação com o Sol, é luminosa pela luz que recebe de Deus, é grande pela participação na grandeza infinita do Divino Criador. Quer dizer, a Semana Santa nos faz considerar não somente quem é Cristo, o seu Ser, mas também quem é Maria. De Cristo aprendemos que é a Sabedoria eterna e encarnada, Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem, o revelador e a revelação, a Palavra de Deus, a Luz do mundo, o Único Necessário, o Caminho, a Verdade e a Vida, o Pão Vido descido do céu, que todo aquele que deste Pão da Vida se alimenta tem a vida eterna, viverá eternamente.

De Maria podem ser ditas inúmeras coisas. Por exemplo, com o santo Anjo Gabriel dizer que é “cheia de graça”, cheia da Vida Divina, da Santíssima Trindade; com Isabel, inspirada pelo Espírito da Verdade, que é “bendita entre as mulheres” e a “mãe do Senhor”, o Salvador; dizer, como dizem os sábios, que é Filha amadíssima do Pai, Mãe admirável do Filho e Esposa fidelíssima do Espírito Santo; dizer também que é a “nova Eva”, que pelo seu sim colaborou para a elevação do homem, na nova comunhão com Deus, superabundância de felicidade, em oposição ao não de Eva, que de certo modo é o não de Judas Iscariotes e o não de todo homem quando peca, negação que significou para a criatura humana a queda, a perda da harmonia e do paraíso de delícias de sua humanidade em comunhão com o Ser Divino.

Enquanto Mãe dolorosa, Senhora das Dores, em sua vida se cumpriu o que no templo Simeão disse a ela, que uma espada de dor transpassaria o seu coração. Uma espada que são 7 espadas, 7 dores, e que pelo menos nos últimos tempos passou a ser 8, com uma oitava dor, que é a dor pelo modo negativo como seu Filho é tratado no Santíssimo Sacramento, na Santa Eucaristia. E um dos aspectos das dores Maria é, como diz Santo Afonso Maria de Ligorio, que “se nesse mar de mágoas, que era o coração de Maria, entrou algum alívio, então este único consolo foi certamente o animador pensamento de que, por suas dores, cooperava para nossa eterna salvação”.

De certo modo, Maria é mãe dolorosa ainda hoje, pois continua a sofrer pelas ofensas diárias ao Santíssimo Coração de seu amado Filho, Coração Eucarístico, e ao seu Imaculado Coração, que em breve triunfará, e pela multidão de seus filhos que sofrem e se perdem na vida, sobretudo eternamente.

Para consolar esta mãe dolorosa, consoladora dos aflitos, e para o nosso próprio bem, ela mesmo diz o que pode ser feito: rezar o Santo Terço diariamente, exercer as virtudes, exercer a devoção dos primeiros sábados, consagrar-se a ela, oferecer penitência pela salvação das almas, entre outras coisas.

Nossa Senhora das Dores, consoladora dos Aflitos e refúgio dos pecadores, rogai por nós!

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