Via Crucis: Paixão do Sagrado Coração e paixão do Imaculado Coração

Quarta-feira santa. Na liturgia da palavra, destaque para a “traição de Judas”, que entregou Cristo por 30 moedas de prata. Neste dia é costume fazer memória do encontro de Maria com Jesus na Via Crucis. O encontro de nosso Senhor Jesus Cristo com sua mãe pode ser visto do ponto de vista do coração. Ali há um encontro dos dois corações na dor, do Sagrado Coração de Jesus com o Imaculado Coração de Maria. Nisto, e em outras coisas, os dois corações se assemelham, tanto que, em imagens, são apresentados assim: corações com chamas, que significam o amor – o amor divino é como “uma chama viva de amor”, no dizer de São João da Cruz -, com uma Cruz no coração de Cristo e uma espada no de Maria. A Cruz e a espada significam os sofrimentos por eles experimentados. Os dois são, cada um à sua maneira, corações riquíssimos, cheios de bondade e de amor, que sofrem pelas nossas misérias e como “vítimas dos pecadores”, ainda hoje. Por esta razão, quis a Divina Providência que houvesse na Igreja a devoção das primeiras sextas-feiras, para reparar as ofensas ao Sagrado Coração, e a dos primeiros Sábados, para reparar as ofensas ao Imaculado Coração de Maria. E se Deus quis, significa que estas devoções são caminhos positivos para todos nós.

Se há os dois corações, há também o coração de Judas, um coração que preferiu vender o Cristo, seu mestre, em vez de segui-lo até o fim e nele confiar, isto é, um coração que não encontrou o coração do Salvador ou, se encontrou, por alguma razão acabou se perdendo.

Neste fato, a venda por 30 moedas de prata, se repete sob certo aspecto a história de José do Egito, que foi vendido como escravo por seus irmãos – que eram 11, com ele 12; irmãos que ele, na posição de 2º homem mais poderoso do Egito, depois de ascender socialmente, de escravo a soberano (“José tinha trinta ano 30 de idade quando começou a servir ao faraó”), perdoou e ajudou numa época de fome e penúria. Assim é com Jesus Cristo, Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem: disposto a perdoar qualquer um que a ele se dirige com arrependimento – seja Pedro, seja Judas; que oferece o alimento àqueles que têm fome e precisam se alimentar, sobretudo com o alimento que é a “Santa Eucaristia”, o Pão da Vida, o Pão que “contém todo o sabor”; e que depois de ser vendido como escravo por um de seus 12 irmãos, apóstolos, é glorificado na Ressureição, na Ascensão aos Céus e se torna Cristo Rei do universo, Juiz de todas as nações, que virá “para julgar vivos e mortos”, o nome “acima do qual não há outro nome”.  

Nisto tudo está presente a Providência Divina, que significa dizer a Onipotência Divina, a Sabedoria Divina e o Divino Amor.

Sagrado Coração de Jesus, no qual estão todos os tesouros da sabedoria e ciência e que é cheio de bondade e amor, tende piedade de nós!

Ó clemente, ó piedosa, ó doce e sempre Virgem Maria. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo!

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