
Quinta-feira santa. Início do “Tríduo Pascal”. Memória da instituição, feita pelo Cristo, de dois sacramentos importantíssimos na vida da Igreja: a Santa Eucaristia e o sacerdócio apostólico. Disse o Divino Jesus à Santa Faustina: “Minha filha, medita sobre a vida divina que está contida na Igreja, para a salvação e a santificação da tua alma. Reflete sobre como está aproveitando estes tesouros de graças, estes esforços do Meu amor”.
Neste dia pode-se considerar a presença dos números, o simbolismo dos números. Para um católico é positivo ter certa “consciência simbólica” ou o senso dos símbolos, pois a vida da fé está cheia deles. No símbolo está sempre presente uma relação de semelhança e diferença, e ele é sempre símbolo de alguma coisa, o simbolizado. O símbolo diz, pela semelhança, algo do ser daquilo que é simbolizado. Neste sentido, símbolo é conhecimento. Por exemplo: a relação entre o Sol e a lua simboliza a relação entre Deus, o Altíssimo Criador, e Maria Santíssima, grandiosa criatura. Quer dizer, é uma relação (Sol e Lua) que diz algo da outra relação (Santíssima Trindade e Maria Imaculada), no tema da importância, da grandeza, etc., etc., etc.
Dito algo sobre o símbolo, agora algo sobre os números. Há o Um e o Três em Deus, uma só Essência Divina na qual há Três Pessoas. O Um e o Dois em Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Divindade e humanidade. 40 são os dias da quaresma, assim como 40 foram os anos do povo de Israel no deserto após sair da escravidão no Egito, e 40 foram os dias de Jesus no deserto após ser batizado pelo profeta João Batista. 30 era, conforme a tradição, a idade de Cristo quando começou sua vida pública, sua missão, e 30 era a idade de José do Egito quando começou a servir o faraó, deixando de ser escravo, e 30 era a idade de Davi quando se tornou Rei. Aqui, com em outros casos, não é sem razão que os números se repetem, pois como símbolos, significam mais do que quantidades. O 3 significa totalidade, o 40 significa “o tempo necessário” e 30 significa a “idade da maturidade”.
No caso das celebrações de hoje. 12 eram os apóstolos na Santa Ceia Eucarística, assim como 12 eram as tribos de Israel, tribos que vieram dos 12 filhos de Jacó (ou Israel, seu outro nome), que era filho de Isaac, que era filho de Abraão. Na antiga aliança, que parte de Abraão, o povo de Deus é o povo de Israel, o povo das 12 tribos. Na nova aliança, o novo povo de Deus é o povo que vem dos 12 apóstolos, descendentes do Cristo, tornados filhos de Deus pelo batismo, participantes da Vida Divina. Apóstolos que são sacerdotes, e dos quais vieram todos os demais sacerdotes, e enquanto tais recebem do próprio Deus o poder, por exemplo, de com Cristo participar do perdão dos pecados de um homem e de consagrar o Pão e o Vinho, de tornar ali presente o corpo de Cristo, o próprio Cristo. Como diz Santo Tomás de Aquino: na cruz se escondia sua divindade, e na aparência do pão se esconde a sua humanidade. Eucaristia que significa a oferta de Jesus Cristo a Deus Pai, satisfação da Justiça Divina, e sua oferta aos homens como alimento, que ali podem recebê-lo. É o sacramento-sacrifício da reconciliação do homem com Deus, dádiva da Divina Misericórdia.
Quando na oração do “Pai Nosso” pedimos “o Pão nosso de cada dia nos dai hoje”, pão significa pelo menos duas coisas importantes: (1) a Palavra Divina que, como diz Cristo, é espírito e vida e (2) a Santa Eucaristia, que é, nas palavras de Cristo, “o verdadeiro pão vindo do Céu”, em meio ao deserto dessa vida, o pão que todo aquele que come devidamente tem a vida divina e viverá eternamente.
O Pão Eucarístico exige ser recebidos com as devidas disposições interiores, entre elas a fé, para que seja experimentado como alimento espiritual que sacia a fome e mata a sede. Além da fé, é exigido o “estado de graça”, o estado de mínima amizade com Deus, conseguido pela aniquilação dos pecados graves no arrependimento e confissão sacramental com um sacerdote da Santa Igreja de Cristo apto a exercê-la.
Ao longo da história há vários “anticristos”, e o próximo será mais um. Ele só é contra Cristo sempre do mesmo modo quando se trata do Cristo total, que é, para enumerar algumas de suas partes importantes, o Cristo enquanto Verbo Divino encarnado, o Cristo da Cruz e Ressureição, que permanece presente em seu Corpo Místico, a Santa Igreja Católica, nas verdadeiras Palavras Divinas, que “são Espírito e Vida”, em seu Corpo Eucarístico, a Santa Eucaristia, que é o “Pão da Vida”, o “verdadeiro Pão descido do Céu” como dádiva de Deus para suas miseráveis criaturas, exilados filhos de Eva, degradados filhos de Adão.
