
A confusão é um dos nomes da falsidade, do engano. Quanto mais importante algo é, mais importante negativamente são as confusões a seu respeito. Por exemplo, sobre hereges e heresias. Há quem diz que Jesus é aquele que se opôs à religião de seu tempo e foi acusado de herege. Assim, aqueles que se opõem à religião de seu tempo e são acusados de hereges são semelhantes a Cristo, os heróis da história. Neste caso, a confusão é a seguinte: uma coisa é ser injustamente qualificado de herege e de heresia, outra é aceitar hereges e heresias enquanto tais. O ponto importante aqui é a injustiça e a presunção – não saber que não sabe e comportar-se como se soubesse.
Se considero que heresia é falsidade, então uma verdadeira heresia é algo negativo e o herege, enquanto aquele que ensina falsidades como se fossem verdades, é uma figura negativa para a verdadeira religião. Cristo se opôs várias vezes a figuras religiosas por sua falsidade, por seus enganos, por suas mentiras, e chegou mesmo a dizer que estes tinham como pai o “pai da mentira”, a serpente enganadora que levou Adão e Eva para o caminho da ruína.
Nos evangelhos o divino Jesus diz que o Espírito Santo é o Espírito da verdade. Na Ladainha que a Igreja lhe dedica é dito como “inspiração dos profetas” e “palavra e sabedoria dos apóstolos”. Diz Santa Faustina em seu Diário que “quando uma alma está com Cristo, Ele não permite que ela erre”, sobretudo em algo importante, poderíamos acrescentar. E o Espírito da Verdade diz por meio do profeta Isaías: “Ai daqueles que ao mal chamam bem, e ao bem, mal, que mudam as trevas em luz e a luz em trevas, que tornam doce o que é amargo, e amargo o que é doce!”
Se consideramos Lutero e os pais do protestantismo pelas suas oposições a partes importantes da Igreja Católica – a verdades catolicamente importantes sobre a Santa Eucaristia, sobre a figura do Papa, sobre o Magistério eclesiástico, sobre a confissão sacramental, etc., etc., etc., então nesta oposição inegavelmente alguém não foi instruído pelo Espírito Santo, está dizendo que é mal o bem e há “cegos que guiam cegos”.
Opor-se virtuosamente à falsidade conhecida em nome da verdade conhecida é algo que agrada a Deus, no qual não há trevas alguma, nenhuma falsidade. Porém, agir em nome de algum importante valor não significa necessariamente agir virtuosamente. A verdade exige a virtude, quer dizer, não se deve combater em favor da verdade de um modo que ela seja negada, pois a virtude é afirmação da verdade e, consequentemente, o que se opõe à virtude se opõe à verdade.
Por exemplo: Saulo, em nome da verdade da “lei de Israel”, combateu os cristãos, que para ele eram disseminadores de falsidades. No caso, Saulo combatia pela verdade imprudentemente, sem a devida prudência, pois não sabia realmente o que era verdade e o que era falsidade, estava cego e só deixou a cegueira depois que encontrou o Cristo, a Verdade Eterna encarnada. Saulo se tornou Paulo e agora realmente inspirado pelo Espírito da Verdade não deixou de se opor a falsos mestres e a falsidades de seu tempo de apóstolo.
