Verdades eternas e falsa inteligência das máquinas

Parte importante de nosso tempo são as “máquinas inteligentes”. Há até aqueles que têm como ideal um “homem-máquina”. No caso o nome inteligência é inapropriado, enganoso, uma confusão, pois é um engano falar de “inteligência artificial” no mesmo sentido em que se fala de inteligência humana. As duas não são a mesma coisa e não se equivalem. Aqui, o que é humano é superior, maior que o universo material. Se por um lado o homem não deve ser superestimado, por outro lado não deve ser subestimado: as duas são falsidades.

Em suas considerações sobre a razão diz o Papa Bento XVI que a “razão humana traz inscrita em si a exigência daquilo que vale e permanece sempre”. Dentre outras coisas, isto significa que o homem é capaz de alcançar verdades eternas proporcionadas à sua mente, distinta por exemplo da mente angélica. As verdades eternas, que não são ilusões, não estão limitadas ao tempo-espaço, estão além do tempo. A pessoa humana, como existente, começou a ser no tempo, mas sua essência, como um ser composto de corpo e alma espiritual, está acima do tempo. Neste sentido, a humanidade é uma verdade eterna, um logos eterno, assim como a triangularidade dos triângulos ou a angelicalidade dos anjos.

Com sua inteligência concedida pela Inteligência Divina o homem é ao seu modo capaz de captar o eterno no temporal, o absoluto no relativo e o necessário no contingente. O tempo está contido na eternidade, o relativo no absoluto e o contingente no necessário, e tudo isto está contido na Mente Divina onipresente e eterna, que tudo contém e por nada é contido. Assim, como sua inteligência está aberta a totalidade do ser, como é uma capacidade que abarca toda a realidade, mesmo que como atualidade nosso conhecimento dela seja parcial, o homem é naturalmente e sobrenaturalmente capaz de Deus, cujo amor, cuja misericórdia, como diz o Salmo 136, dura para sempre, é eterno.

Nada disto pode ser dito das máquinas, dos robôs, da tal “inteligência artificial”.

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