
Parte importante da sabedoria é o reconhecimento das verdades eternas, que em um de seus sentidos significa aquilo que “vale e permanece sempre”. Na totalidade do ser, as realidades materiais e temporais são apenas uma parte. Há algo antes, depois e acima delas, e no qual elas estão. Exemplo: as verdades eternas sobre a ausência e a presença.
Antes, por duas razões podemos reconhecer como inegável, como uma certeza absoluta, que há a presença e a ausência. (1) É algo que a experiência mostra. (2) Ao negá-las elas são confirmadas: na negação da presença há o ato de negar e há aquele que nega, portanto duas presenças, e negar a ausência, dizer não há, é afirmar uma ausência.
Presença é sempre presença de algo e ausência é sempre ausência de algo. Toda presença é assim e toda ausência é assim. Isto é inegável, pois do contrário seria presença de nada, portanto presença nenhuma, e seria uma ausência de nada, portanto ausência nenhuma. Assim, negar isto é negar uma característica essencialmente necessária tanto da presença como da ausência, é torna-las se sentido. Se é assim, e certamente é, isto significa que a presença e a ausência exigem o ser. Por ser o que são em sua essência, em seu logos, sem o ser elas não seriam nem poderiam ser, quer dizer, só se poderia dizer delas o puro nada.
Se tudo isto é verdade, e inegavelmente é, então temos de reconhecer outra verdade importante sobre a presença e a ausência, que é a seguinte: a presença tem prioridade sobre a ausência, ela é necessariamente anterior a ausência, pois como já se viu, a ausência, enquanto necessariamente ausência de algo, exige a presença do ser. Neste sentido, isto significa o primado do ser, o fato de haver antes o ser e não o nada. E se há alguma coisa, então o nada total, o nado absoluto, é necessariamente impossível, e assim o ser não veio do nada e não irá para o nada: é eternamente ser, sempre ser, sem começo nem fim, não contido pelo tempo mas no qual o tempo está contido. Como é ensinado no Evangelho: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus… E o Verbo se fez carne e habitou entre nós”.
Assim, se há verdades eternas, realidades imateriais não limitadas ao tempo, e se o homem é ao seu modo capaz de apreendê-las, de vislumbrá-las, então isto tem importância para a vida e para a morte, pois significa dentre outras coisas que minha consciência não o meu cérebro e que não sou pura matéria.
