O Deus de Jesus Cristo: Deus Misericordioso que concede ao homem participar de sua Divindade

Por ser Deus o que é, quer dizer, por ser Aquele que tudo contém e por nada é contido, e por ser a plenitude do Ser, então podemos dizer com razão, sem panteísmo, que Ele está em mim e eu estou Nele, na medida em que meu modo de ser, enquanto pessoa humana, significa uma participação no Ser de Deus. A onipresença divina é necessária, pois nada pode ser fora de Deus.

Com relação às criaturas Deus é necessariamente misericordioso, pois toda e qualquer criatura é por si mesma nada e contingente (poderia não existir), é por si mesma miséria, ausência. Só Deus é por si mesmo e tudo o mais recebe o ser por concessão divina. Neste caso, é da própria realidade que tudo que sou e possuo de bom pertence necessariamente a Ele. Todos os homens, justos e pecadores, vivem a todo instante da Misericórdia Divina. Toda revolta contra Deus é sem sentido, movida por falsidades do amor-próprio, pelas ilusões da soberba.

Na história da Salvação, após a queda de Adão e Eva, o amor misericordioso de Deus pelos homens, mostrado por Cristo, o Verbo Encarnado, significa em essência que Deus concede ao homem o máximo que Ele poderia doar a esta sua criatura: a própria divindade. É como se Deus dissesse: “Eu sou Divino, o único e verdadeiro Deus, e vou torná-los divinos, participantes do meu Ser, da minha Essência Divina Vivente, da minha vida íntima trinitária, da minha riqueza inesgotável, da minha felicidade sem fim. Nisso não deixo de ser Deus, o que é impossível, e vocês deixam de ser apenas homens. Eu não ganho nada e vocês ganham tudo. Assim sou Eu, o Deus que é puro amor, infinita misericórdia, bondade sem fim. E o caminho para isto na vida terrena é o meu Filho e seu Corpo Místico, a Santa Igreja Católica.”

Neste sentido, Cristo disse a Santa Faustina, uma mística católica: “Diz, Minha filha, que sou puro Amor e a própria Misericórdia… Tudo que existe está contido nas entranhas da Minha misericórdia, de uma forma mais profunda que a criança no ventre de sua mãe. Quanto dor Me causa a falta de confiança em Minha bondade. Os pecados que Me ferem mais dolorosamente são os de desconfiança”.

Assim, por ser Deus o que é em si, e por ser Ele o que é para mim, o Criador, Aquele que por puro amor misericordioso me deu gratuitamente o meu ser, minha existência, com todos os seus valores e possibilidades positivas, Ele não merece de mim a oposição, o atuar contra Ele, pelo menos conscientemente. Ele merece sim o contrário, que eu seja-aja em comunhão com Ele, afirmando o meu ser criado tal como fui criado, com o auxílio de sua graça-poder, sem a qual isto não é possível.

A este respeito podemos considerar o que Jesus disse em outro momento A Santa Faustina: “Minha filha, medita sobre a vida divina que está contida na Igreja, para a salvação e a santificação da tua alma. Reflete sobre como está aproveitando estes tesouros de graças, estes esforços do Meu amor”

Tesouros da graça são, por exemplo, o Cristo que permanece presente nas verdadeiras Palavras Divinas, que são “espírito e vida”, e em seu Corpo Místico, a Santa Igreja Católica, com a Confissão Sacramental – Tribunal da Misericórdia – com a Santa Eucaristia, o “Pão da vida”, o “verdadeiro Pão descido do céu”, o Pão da “vida eterna”, com o santo batismo, entre outros.

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