A Verdade deseja a verdade e detesta os males que a língua produz

Nossa Senhora do Silêncio – espiritanos.pt

Há trevas e perversidades que cobrem a terra. Entre elas está a falsidade, a mentira, que Deus, Verdade infinita, não pode suportar, com a qual não pode conviver, pois diz São João Apóstolo: “Deus é luz, e não há nele nenhumas trevas. Se dizemos ter comunhão com ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não seguimos a verdade”.

A este respeito, por exemplo, a Imaculada disse à Santa Brígida: “Sou aquela que ouviu a verdade dos lábios de Gabriel e acreditou sem duvidar. É por isso que a Verdade tomou para si carne e sangue do meu corpo e permaneceu em mim. Eu trouxe à luz a essa mesma Verdade, Deus e Homem. Na medida em que a Verdade, que é o Filho de Deus, desejava vir a mim, morar em mim e a nascer de mim, sei muito bem se pessoas têm verdade sobre seus lábios ou não.”

O anjo Gabriel é o anjo da verdade, aquele que diz toda a verdade em nome de Deus. Maria Santíssima é aquela que acolhe integralmente a verdade recebida. Ambos possuem o interesse pela verdade, o interesse em conhecê-la e o interesse de que seja conhecida. A relação do anjo e Maria gira em torno da encarnação da Sabedoria Divina, a Verdade Vivente. Assim, toda a verdade no anjo, toda a verdade em Maria, toda a verdade em Cristo e toda a verdade no Espírito Santo. Este é um entre vários exemplos inegáveis da importância suprema que a verdade tem no verdadeiro cristianismo e é ela mesmo um importante critério, absoluto, para distinguir o verdadeiro cristianismo, a verdadeira religião, no sentido de religião querida por Deus, do falso cristianismo, da falsa religião.

Quanto às maldades que podem sair da boca dos homens, ao falar dobre o valor do silêncio, são Boaventura ensina: “(…) Se do demasiado falar seguem frequentemente ofensas a Deus e ao próximo, o silêncio, por sua vez, nutre a justiça da qual nasce, como de uma árvore, o fruto da paz. (…) Queres ouvir e saber quantos males produz a língua, quando não é guardada solicitamente? Pois ouve: a língua produz a blasfêmia, a murmuração, a defesa do pecado, o perjúrio, a mentira, a detração, a adulação, as pragas, as injúrias, as rixas, a ridicularização dos bens, os maus conselhos, a difamação, a jactância, a revelação dos segredos, as ameaças e promessas arrogantes, o excesso no falar, as zombarias.

(…) Não digas palavras ociosas, porque de qualquer palavra ociosa que disserem os homens, darão conta dela no dia do juízo. «Ociosa é a palavra, diz a Glosa, quando proferida sem necessidade de quem fala, ou sem utilidade para quem ouve».”

Deixe um comentário