
Na vida humana como um todo, o que inclui a religião, é importante possuir na medida do possível a consciência do que é verdadeiro e do que é falso. Por isto, o homem sempre e em tudo deveria desejar toda a verdade e desejar não ser vítima de ilusões. A verdade e a falsidade têm por essência relação com o ser, e neste sentido é verdade o que é realmente assim e falsidade o que não é. Quanto mais importante uma realidade é em si mesma e para a pessoa humana, então mais importante é o verdadeiro e o falso. É mais importante a verdade e a falsidade em religião do que em história do futebol. Se me engano quanto a não existir demônios e inferno ou quanto a existir várias vidas e reencarnações, isto é mais grave do que me enganar na quantidade de copas do mundo que o Brasil tem.
A Sagrada Escritura ensina ter cuidado com os falsos mestres, o que supõe haver verdadeiros mestres. Cristo disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vai ao Pai senão por mim”. Ou isto é verdade ou é engano. Se é verdade, então quer dizer que há um só caminho para Deus: Jesus Cristo. Porém, não qualquer Cristo, mas o verdadeiro, o que supõe haver falsos. Exemplo: há uma diferença vital, de vida e de morte, entre espiritismo e catolicismo. O Cristo católico, conforme a totalidade, ensinado pelos Apóstolos é, por exemplo, o Verbo Divino encarnado, o Mestre da Cruz, a Misericórdia, que permanece presente em seu Corpo Místico, a Santa Igreja, nas verdadeiras Palavras Divinas – palavras de vida eterna, que são espírito e vida – e em seu Corpo Eucarístico. Pelas oposições inconciliáveis que há entre os dois, então em algum deles há ilusões vitais.
Neste sentido, catolicamente falando o espiritismo só pode ser uma falsa religião, seus porta-vozes são falsos mestres e seus espíritos têm um nome: demônios ou almas perdidas, agentes do império infernal. Como a verdade-falsidade importa antes de tudo, isto é o mais importante. Tudo o mais é secundário, é a armadilha diabólica das meias-verdades e da bondade aparente.
A este respeito, exemplo de algo dito pelo místico padre Dolindo Ruotolo: “Em 12 de janeiro de 1909, participei de outra sessão. Como da vez anterior, a mesinha foi movida e levantada. Sem dúvida, ninguém a estava levantando, e é absurda a hipótese natural que alguns fazem de que a mesa é movida por fluidos magnéticos: a mesa movia-se com movimentos sintomáticos, provocados por um ser inteligente, que manifestava uma inteligência própria e ativa… Então me levantei e disse solenemente: “Como sacerdote de Deus, ó espírito maligno… eu ordeno que voltes aos abismos.” A mesinha estremeceu, como se tivesse sido tomada pelo terror, e a sala também estremeceu, e um vaso de porcelana que estava ao longe sobre um piano moveu-se. O espírito fugiu e a comunicação terminou. Para mim este fato foi decisivo. Parecia perfeitamente claro para mim que a pessoa envolvida era um demônio ou uma alma perdida. O espírito não resistiu à ordem do padre. Pelo que me lembro, tentei desiludir meus parentes. Então, comecei a orar continuamente a Jesus, orei por muitos dias entre gemidos e suspiros, para que as almas não fossem vítimas de tão grande engano.”
Assim como a verdade não se mistura com a falsidade, o catolicismo não se mistura com o “espiristismo”.
