Dádiva da Misericórdia Divina para o homem: a luz da inteligência

Deus é o Antecedente de todos os consequentes, que enquanto tais, em razão de ser o que são, exigem antecedente.  Se a Mente Divina é este antecedente e se ela tudo contém sem por nada ser contida, isto significa que nenhum ser há antes e fora do Criador, o que vale para o conhecimento, que por esta razão é sempre conhecimento na Razão Onipotente. Assim, se o conhecimento é uma luz que ilumina a trevas do não saber, o Deus Uno e Trino é sua fonte, e neste sentido diz São Tiago: “Pai das luzes, fonte de todo conhecimento, de toda dádiva boa e de todo dom perfeito”.

Dádiva divina para o homem é o poder cognoscente, a capacidade de consciência. A presença da pessoa humana na realidade é uma presença cognoscitiva, é a presença de uma mente apta a conhecer – de uma inteligência limitada participante da Suprema Inteligência que tudo conhece totalmente e intimamente. Em um de seus importantes sentidos é próprio da inteligência humana reconhecer a verdade, porém, quando obscurecida, quanto em cegueira, engana-se quanto ao verdadeiro ser e, por relação, quanto à verdadeira importância de algo, quanto ao verdadeiro bem. A mente humana pode estar obscurecida ao ponto em que não vê verdades inegáveis e falsidades inegáveis, verdades e falsidades importantes cuja negação, sempre sem razão, é decisiva em maior ou menor grau para a vida pessoal.

Exemplo de verdade inegável que sem razão é negada por nossa alma quando em trevas, é a existência de certezas absolutas. Embora até possam ser relativamente poucas, certamente há realidades acima de qualquer dúvida razoável, certezas absolutas. A primeira delas é a presença do Ser, que todas as coisas mostram, e outras, para mencionar algumas, são que o conhecimento é sempre conhecimento de alguma coisa, que alguém não pode amar o que não conhece, que a responsabilidade exige a liberdade e que nada pode ser e não-ser ao mesmo tempo e sob mesmo aspecto.

Ao reconhecê-la como algo valioso presente em mim, possuído ao seu modo pelos anjos e sobretudo pelo próprio Deus, a razão humana não deve ser superestimada, como fazem os racionalistas, nem subestimada: é um dos inúmeros dons que a Misericórdia Divina concedeu à criatura humana.

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