
Há quem diga, como se fosse algo bom, que “todas as crenças merecem respeito”. Nisto não há verdade nem bondade, pois é falso. Algumas razões:
(1) Seja em que sentido é considerado, se há respeito, há valor. Uma pessoa só pode respeitar algo que para ela tenha algum valor positivo. Se todas as crenças merecem respeito, isto significa que todas têm valor positivo, porém, sob o ângulo da verdade-falsidade, não pode ser assim, pois há crenças que são contrárias entre si, que se negam mutuamente, e neste caso, se a crença X é julgada verdadeira, a crença Y só pode ser julgada falsa.
(2) Uma pessoa que coerentemente respeita todas as crenças é na realidade indiferente a todas elas. E se há indiferença, não há respeito, pois o respeito exige o valor, e se há valor, há ruptura da indiferença. Pode-se dizer que o respeito traz consigo o desrespeito, assim como o amor ao bem traz consigo o desprezo pela maldade.
(3) Esta posição é uma versão do relativismo e negativa como ele. O relativismo é autocontraditório e impossível de ser vivido. Ele traz consigo a equivalência do superior e o inferior, uma negação de toda hierarquia, e a equivalência dos valores opostos, e neste caso a falsidade vale tanto quanto a verdade, a bondade tanto quanto a maldade, o vilão tanto quanto o herói, o inferno tanto quanto o céu.
(4) A realidade diz à razão humana que nem tudo é crível, que há limites para o acreditável, como o limite da contradição-impossibilidade. Se alguém diz que teve uma experiência mística na qual viu um mundo cheio de quadrados-redondos, não há nisso credibilidade alguma por ser impossível em qualquer dos mundos um quadrado-redondo. Assim, podemos acreditar naquilo que, por ser uma ilusão, não deveríamos acreditar.
(5) Na ladainha do Espírito Santo, Espírito da Sabedoria e das virtudes, Ele é ensinado como inspiração dos profetas e palavra e sabedoria dos apóstolos e a Ele é pedido que nos livre “do ataque à verdade conhecida” e “de todas as heresias e erros”. O profeta Elias não respeitava as crenças dos falsos profetas de Ball e São Paulo não respeitava as crenças que em nome do Evangelho combateu. Para ambos eram falsidades que não mereciam respeito.
