Os 10 mandamentos: entre o tempo e a eternidade

Para o homem, o tempo é vivenciado como um misto de duração e sucessão, como uma sequência de anterior e posterior, como passado, presente e futuro. Como há o imutável e o mutável, há o temporal e o eterno. Assim, medir o valor de certas realidades pelo critério do tempo é enganoso. O movimento dos fatos históricos não é necessariamente evolutivo, não é um contínuo progresso, em que o posterior é sempre superior ao anterior. Nem tudo que existia antes do presente é necessariamente positivo e nem tudo que existirá depois do presente é necessariamente positivo.

A confusão é um dos nomes da falsidade, do engano. Quanto mais importante algo é, mais importante negativamente são as confusões a seu respeito.

Exemplo de confusão importante é considerar apenas a realidade histórica de algo, como se fosse tudo o que ela contém ou como se fosse sua parte mais importante. Os 10 mandamentos, como mandamentos divinos, possuem uma dimensão histórica, porém antes de tudo eles são verdades eternas e, simultaneamente, valores eternos. Isto significa que valem e permanecem sempre o que são, antes e acima de todos os tempos e culturas. Eles só são históricos no sentido em que foram recebidos pela consciência humana em algum momento da história, assim como as verdades da matemática, que já valiam antes de sua descoberta. Assim, o que há ao longo da história é inconsciência ou cegueira humana, mas não propriamente criação dos mandamentos por parte do homem, pois, se são eternos, já existiam antes, o que torna sem sentido falar em “criação”. Assim, diz o Salmo 110: “suas obras são verdade e são justiça, seus preceitos, todos eles, são estáveis, confirmados para sempre e pelos séculos, realizados na verdade e retidão.”

No ser de Deus não há passado nem futuro, apenas o presente, a simultaneidade absoluta, e neste sentido tudo o que Ele faz é desde a eternidade. Como diz São Pedro em sua Carta: “um dia diante do Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia”.

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