
Há versões de Cristo que são moedas falsas do verdadeiro Cristo, são enganos que enganam, perversões que pervertem. Certa vez, em resposta aos seus opositores judeus, o Divino Jesus disse: “Antes que Abraão existisse, eu sou”. Sem haver nisto contradição, esta afirmação significa que Cristo é anterior, simultâneo e posterior a Abraão, e só pode ser assim se é Deus-homem. É posterior no tempo, pois, como todos os homens, é nascido de mulher, a mais bendita de todas. É anterior e simultâneo na eternidade, que contém a totalidade do tempo, pois, como ensina São João Apóstolo em seu Evangelho, ele é o Verbo eterno que se fez carne e habitou entre nós. No livro de Hebreus é dito que “Jesus Cristo é sempre o mesmo: ontem, hoje e por toda a eternidade.”
Assim, no verdadeiro Cristo há a eternidade, que é superior ao tempo e o contém, o espiritual, que é superior à matéria e a contém, o imutável, que é superior ao mutável e o contém, o absoluto, que é superior ao relativo e o contém.
No Evangelho de São Mateus Cristo diz: “Quem não está comigo está contra mim”. Quem superestima o tempo e nega a eternidade, superestima a matéria e nega o espiritual, superestima o mutável e nega o imutável, superestima o relativo e nega o absoluto, não está com Cristo, mas sim contra Ele, e está contra si, como aquele que corta o galho onde está sentado.
Se o Cristo é a Sabedoria encarnada e se na Sagrada Eucaristia Ele está realmente e totalmente presente como catolicamente se crê, então para o Divino Sacramento vale o que a Sabedoria diz de si mesma nos Provérbios de Salomão: “Feliz o homem que me ouve e que vela todos os dias à minha porta e guarda as entradas de minha casa! Pois quem me acha encontra a vida e alcança o favor do Senhor. Mas quem me ofende, prejudica-se a si mesmo; quem me odeia, ama a morte.”
