
Deus é verdade infinita, consequentemente não pode suportar a mentira, a falsidade, é bondade infinita, consequentemente não pode suportar a maldade. Assim, São Paulo ensina que a Caridade “não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade” e Salomão ensina em seus Provérbios que “seis são as coisas que o Senhor aborrece, e a sua alma detesta a sétima: olhos soberbos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que maquina malvadíssimos projetos, pés prontos para correr ao mal, testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia discórdias entre seus irmãos.”
O verdadeiro cristianismo ensina que há Deus como salvador misericordioso e há Deus como justo juiz, o que significa que para todos há o tempo da compaixão, os dias da Misericórdia, e há o tempo da justiça. Assim, o Deus-homem ensina: “Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, porque não crê no nome do Filho único de Deus. Ora, este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, pois as suas obras eram más. Porquanto todo aquele que faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas aquele que pratica a verdade vem para a luz. Torna-se assim claro que as suas obras são feitas em Deus”.
Há quem negue o inferno porque seria “incompatível com um Deus bondoso”. Que Deus é infinitamente bom, não há dúvida, porém, o inferno no sentido ensinado por Cristo, por sua Santa Igreja e por verdadeiros mestres cristãos, não é incompatível. Ensina a Igreja de Cristo que “morrer em pecado mortal sem arrependimento e sem dar acolhimento ao amor misericordioso de Deus, significa permanecer separado d’Ele para sempre, por nossa própria livre escolha. E é este estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados que se designa pela palavra «Inferno».”
Em Fátima, Nossa Senhora fala que “vão mais almas para o inferno por causa dos pecados da carne do que por qualquer outra razão”. Nos Evangelhos o inferno é ensinado como algo real pelo próprio Cristo, que fala da “condenação eterna” e do “fogo eterno”. Ele disse a fariseus: “Vós sois cá de baixo, eu sou lá de cima. Vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo. Por isso, vos disse: morrereis no vosso pecado; porque, se não crerdes o que eu sou, morrereis no vosso pecado”. E São João Batista disse para saduceus e fariseus de seu tempo: “Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da cólera vindoura? Dai, pois, frutos de verdadeira penitência… O machado já está posto à raiz das árvores: toda árvore que não produzir bons frutos será cortada e lançada ao fogo”. Não sem razão, o precursor e o Salvador ensinam: convertei-vos, fazei penitência.
Santa Faustina, em suas visões místicas, diz sobre o inferno: “Hoje, conduzida por um anjo, fui levada às profundezas do inferno, um lugar de grande castigo; e como é grande a sua extensão! Tipos de tormentos que vi: O primeiro tormento que constitui o inferno é a perda de Deus; o segundo, o contínuo remorso da consciência; o terceiro, o de que esse destino nunca mudará; o quarto tormento é o fogo que atravessa a alma, mas não a destrói; é um tormento terrível, é um fogo puramente espiritual, aceso pela ira de Deus; o quinto é a contínua escuridão, o terrível cheiro sufocante e, embora haja escuridão, os demônios e as almas condenadas veem-se mutuamente e veem todo o mal dos outros e o deles mesmos. O sexto é a continua companhia do demônio; o sétimo tormento, o terrível desespero, ódio a Deus, maldições, blasfêmias. (…) Que o pecador saiba que será atormentado com o sentido com que pecou, por toda a eternidade. Estou escrevendo por ordem de Deus, para que nenhuma alma se escuse dizendo que não há inferno ou que ninguém esteve lá e não sabe como é. (…) O que eu escrevi dá apenas uma pálida imagem das coisas que vi. Percebi, no entanto, uma coisa: o maior número das almas que lá estão é justamente daqueles que não acreditavam que o inferno existisse.”
