
Como ensina São Paulo, há apenas um Evangelho de Cristo, o que significa que há uma multiplicidade ilegítima, consequentemente inaceitável. Porém, há uma multiplicidade legítima, que é a multiplicidade das verdades nele contidas, em razão de sua inesgotabilidade para a mente humana limitada em seu poder, dado que não é uma mente onipotente como a mente divina.
A multiplicidade é ilegítima quando, pelas contradições e confusões, há falsidade, o contrário de Cristo e suas palavras de vida eterna. São Paulo diz que seja “excomungado” qualquer um que ensinar outro evangelho, oposto ao único e verdadeiro evangelho que ele mesmo ensinava, em total comunhão com Cristo. Qualquer um é qualquer um, e nem mesmo um Papa pode tentar mudar o evangelho imutável, e caso tentasse fazê-lo se comportaria não como Pedro e sim como Judas, como o mau pastor que conduz as ovelhas para o abismo. Isto foi dito nos primórdios da Igreja, mas vale para todos os tempos até o “fim do mundo”.
Inegavelmente, o Cristo mostrado na Sagrada Escritura é o Mestre que instrui com verdades importantes e é ele mesmo a Verdade Vivente, a Sabedoria encarnada. Parte importante de seu vivo ensinamento é: permaneçam na verdade, permaneçam em mim. Como Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre, o Evangelho é essencialmente o mesmo ontem, hoje e sempre, a verdadeira Igreja é essencialmente a mesma ontem, hoje e sempre, e as verdades de vida eterna são essencialmente as mesmas ontem, hoje e sempre. Assim, diz o Salmo 118: “A tua palavra, Senhor, permanece para sempre, e a tua verdade, pelos séculos dos séculos”.
As inúmeras contradições quanto aos ensinos do Evangelho dizem que vivemos uma época com falsos evangelhos ensinados contrariamente ao verdadeiro evangelho. Por exemplo: ou o evangelho é o evangelho da Sagrada Eucaristia, da presença real de Cristo no Pão Consagrado, o Pão da vida, como a Igreja Católica ensina desde sempre, ou é como dizem os protestantes. Seja como for, nesta oposição há algo de máxima importância: um dos lados perverteu o Evangelho.
Foi dito: “Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus”.
