
O dado mais elementar de todas as experiências humanas é a presença do ser. Negar a presença do ser é negar o inegável, pois quem nega isto mostra que algo há, no caso a pessoa que nega e sua negação.
Uma questão importante é: Por que há o ser e não o nada? Uma resposta é: Porque não pode ser de outro modo, porque o nada, enquanto ausência total, é impossível e o Ser é necessário.
O ser e o nada total se excluem. Se há o ser, não há o nada, e se “há” o nada, não há o ser, nem poderia haver, pois o puro nada é pura impotência, é totalmente sem possibilidades, é a esterilidade absoluta. Assim, se há o ser, ele só pode ser eterno, ser desde sempre, pois não pode ter sua origem no nada. Então, o ser é uma presença eterna, nunca passou a ser, como se não existisse antes, nem deixará de ser, como se pudesse deixar de existir. Neste sentido, ele é sem princípio e sem fim, não há nada que lhe seja anterior e não há nada que lhe seja posterior. Tudo o que há, existe no ser, como modalidade no ser, como diferença no ser, jamais fora do ser, do contrário seria no puro nada, o que não faz sentido.
O ser é o princípio e o fim, que tudo contém, e é sem princípio nem fim, que por nada é contido. Se ele tudo contém e se o poder e o conhecimento existem no ser, então nele está todo poder e todo conhecimento. Assim, o ser necessário, em sua eternidade, é onipotente e onisciente. Um de seus nomes é Deus. Ou como Ele disse a Moisés: “Eu sou aquele que sou”. E como Verbo encarnado, Deus-homem, o Cristo, ele disse novamente: “Antes que Abraão existisse, Eu sou”.
Como ensina São Paulo: “Ele existe antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem nele” e “Ele não está longe de cada um de nós, pois nele vivemos, nos movemos e existimos”. E Salomão diz: “Tudo que está escondido e tudo que está aparente eu conheço: a sabedoria, criadora de todas as coisas, me ensinou. Há nela um espírito inteligente, santo, único, múltiplo, sutil, móvel, penetrante, puro, claro, inofensivo, inclinado ao bem, agudo, livre, benéfico, benévolo, estável, seguro, livre de inquietação, que pode tudo, que cuida de tudo, que penetra em todos os espíritos, os inteligentes, os puros, os mais sutis.”
