
Em nosso tempo, a queda da “Babilônia” mencionada nas Escrituras significa em parte a queda da “Era Moderna” e das “sociedades modernas”. Quando ela atingir o ápice de suas perversidades ante os olhos de Deus, então entrará em ruínas, como um castelo de areia. A grandeza de suas perversões significa o predomínio do diabólico em grande escala, legião de abominações contra Deus. Apesar de certa ampliação da consciência humana e do progresso tecnológico nela presentes, a “era moderna” traz consigo cruciais oposições à revelação divina contida na verdadeira religião e importantes negações de verdades perceptíveis pela razão humana. Oposição à Revelação e à razão significa oposição à Sabedoria Divina. Assim, seu lema é a insensatez da serpente: “Não servirei”, “farei o que quero”. Por esta razão, a “época moderna” levada às suas últimas consequências coincide com grande degradação humana, que são como os frutos da árvore má, de que fala Cristo.
Sobre os males da sociedade moderna, no século XIX disse o Papa Leão XIII: ““Efetivamente, desde os primeiros instantes do Nosso Pontificado, o que se oferece aos Nossos olhares é o triste espetáculo dos males que de todas as partes acabrunham o gênero humano: é essa subversão geral das verdades supremas que são como que os fundamentos em que se apoia o estado da sociedade humana; é essa audácia dos espíritos que não podem suportar nenhuma autoridade legítima; é essa causa perpétua de dissensões de onde nascem as querelas intestinas e as guerras cruéis e sangrentas; é o desprezo das leis que regulam os costumes e protegem a justiça; é a insaciável cupidez das coisas que passam e o esquecimento das coisas eternas, levados ambos até esse furor insensato que por toda parte induz tantos infelizes a levarem sobre si mesmos, sem tremerem, mãos violentas; é a administração inconsiderada da fortuna pública, o esbanjamento, a malversação, como também a impudência dos que, cometendo as maiores espertezas, se esforçam por dar-se a aparência de defensores da pátria, da liberdade e de todos os direitos; é, enfim, essa espécie de peste mortal que, insinuando-se nos membros da sociedade humana, não deixa a esta repouso e lhe prepara novas revoluções e funestas catástrofes.” (CARTA ENCÍCLICA “INSCRUTABILI DEI CONSILIO”, de 1878)
E sobre alguns males de seu tempo, no século XX disse o Papa Pio XII: “(…) A quantas e quão grandes insídias não vemos, nesses países, expostas as almas de nossos filhos, para fazê-los abjurar da fé de seus maiores, e separá-los, para desventura deles, da união com esta Sé Apostólica! E, finalmente, não podemos deixar, de maneira nenhuma, em silêncio o novo crime que se está a cometer, para o qual, com profunda dor, chamamos não só a vossa atenção, mas a de todo o clero, a de todos os pais e mães de família, e dos próprios governantes. Referimo-nos à iníqua campanha desencadeada, em toda a parte, pelos ímpios, contra a cândida inocência das criancinhas. Infelizmente, nem sequer a idade inocente foi poupada, pois não tem faltado quem temerariamente ouse cortar as flores que ornam os místicos jardins da Igreja, destruindo as mais belas esperanças da religião e da sociedade. Quem pensar bem nisso, não pode já maravilhar-se de que os povos gemam sob o açoite dos flagelos divinos e vivam sob o pesadelo de maiores calamidades.”
O triunfo do Imaculado Coração de Maria, que significa um novo ciclo histórico para a Igreja, é o começo de uma nova era para inúmeras sociedades, com domínio social do entrosamento entre a sabedoria religiosa da verdadeira religião, a sabedoria filosófica da verdadeira filosofia e o saber autêntico das verdadeiras ciências.
