O império do Anticristo é o império infernal da idolatria (da falsidade)

Para Moisés Deus disse que seu nome é “Eu sou aquele que sou”. O demônio, em sua insana oposição a Deus, seu criador, diria com sua língua enganadora que “eu sou aquele que não sou”. Como é próprio de Deus a afirmação do ser como ele é, a Verdade, é próprio dos demônios e do pecado a negação do ser como ele é, a falsidade. À santa Catarina de Sena Deus Pai disse: “às vezes, o demônio até faz conhecer exatamente a realidade, mas para conduzir depois ao engano”.

Ao falar sobre a outra vinda de Cristo, que será precedida pelo Anticristo, São Paulo diz em sua carta aos Tessalonicenses “Ninguém de modo algum vos engane. Porque primeiro deve vir a apostasia, e deve manifestar-se o homem da iniquidade, o filho da perdição, o adversário, aquele que se levanta contra tudo o que é divino e sagrado, a ponto de tomar lugar no Templo de Deus, e apresentar-se como se fosse Deus.(…) A manifestação do ímpio será acompanhada, graças ao poder de Satanás, de toda a sorte de portentos, sinais e prodígios enganadores. Ele usará de todas as seduções do mal com aqueles que se perdem, por não terem cultivado o amor à verdade que os teria podido salvar. Por isso, Deus lhes enviará um poder que os enganará e os induzirá a acreditar no erro. Desse modo, serão julgados e condenados todos os que não deram crédito à verdade, mas consentiram no mal.”

O império do Anticristo é o império infernal da idolatria. Ídolos e idolatria são sinônimos de falsidade, pois em parte signfica superestimar a verdadeira realidade de algo, portanto negação do ser, negação ensinada na escola da serpente de língua dupla. Como Deus é a Verdade infinita, ele jamais aprovaria a idolatria, que é como um veneno mortífero para sua amada criatura.   

Sobre a idolatria, diz Salomão no livro da Sabedoria: “Outro, por sua vez, que quer navegar e se prepara para atravessar as impetuosas ondas, invoca um madeiro de pior qualidade que o navio que o leva; porque o desejo do lucro inventou o navio, e o artífice pela sua habilidade o fabricou. Mas sois vós, Pai, que o governais pela vossa Providência (…).  Foi pela idealização dos ídolos que começou a apostasia, e sua invenção foi a perda dos humanos. Eles não existiam no princípio e não durarão para sempre; a vaidade dos homens os introduziu no mundo. E, por causa disso, Deus decidiu a sua destruição para breve. (…).

(…) Como se não bastasse terem errado acerca do conhecimento de Deus, embora passando a vida numa longa luta de ignorância, eles dão o nome de paz a um estado tão infeliz. Com efeito, sacrificando seus filhos, celebrando mistérios ocultos, ou entregando-se a orgias desenfreadas de religiões exóticas, eles já não guardam a honestidade nem na vida nem no casamento, mas um faz desaparecer o outro pelo ardil, ou o ultraja pelo adultério. Tudo está numa confusão completa – sangue, homicídio, furto, fraude, corrupção, deslealdade, revolta, perjúrio, perseguição dos bons, esquecimento dos benefícios, contaminação das almas, perversão dos sexos, instabilidade das uniões, adultérios e impudicícias – porque o culto de inomináveis ídolos é o começo, a causa e o fim de todo o mal. (Seus adeptos) incitam o prazer até a loucura, ou fazem vaticínios falsos, ou vivem na injustiça, ou, sem escrúpulo, juram falso, porque, confiando em ídolos inanimados, esperam não ser punidos por má-fé. Contudo, o castigo os atingirá por duplo motivo: porque eles desconheceram a Deus, afeiçoando-se aos ídolos, e porque são culpados, por desprezo à santidade da religião, de ter feito juramentos enganadores. Pois não é o poder dos ídolos invocados, mas o castigo reservado ao pecador, que sempre persegue as faltas dos maus.”

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