
Se a Sagrada Escritura, quando corretamente compreendida, é fonte de conhecimento sobre a realidade divina, então há sim castigos de Deus, que não se opõem à sua Bondade, pois correspondem à sua Justiça. Diz o Salmo 5 que o mal não poderia morar junto de Deus, o que equivale a dizer que Deus, Verdade Eterna e Bondade Vivente, não pode conviver com a falsidade nem com a maldade.
O que é mau não pode ser justo e o que é justo não pode ser mau. A verdadeira justiça exclui qualquer maldade e convive harmoniosamente com a Misericórdia. Para com a criatura humana Deus é antes de tudo misericordioso, pois foi sua Misericórdia que a criou para a felicidade eterna, que a mantém na existência e que a salva e diviniza. Assim, deveríamos dizer: “Bendita seja a Misericórdia Divina, a Bondade do Criador. Senhor, somos pobres criaturas, mostre-nos a tua face e nos conceda ser feliz convosco por toda a eternidade, na plenitude do Céu”.
Há castigos divinos porque a Justiça divina pede satisfação. Isto é como que parte da Sabedoria de Deus e não desmente o amor que o Deus Uno e Trino tem pelos homens, pois em Cristo Ele concede aos homens os meios de pagar as dívidas contraídas nos pecados, como é o caso do sacramento da confissão, Tribunal da Misericórdia. Deus jamais deixa de ser misericordioso assim como jamais deixa de ser Justo, pois é imutável, que dizer, na plenitude de suas perfeições, que não podem ser aumentadas nem diminuídas, permanece sempre o mesmo.
Há poderosos de nosso tempo que, no sentido do que diz o Salmo 5, vivem no amor das vaidades, são homens de maquinações, com o coração dominado por projetos maliciosos, com frutos de destruição para a sociedade. Pensam que são como Deus, não respeitam minimamente o Criador. Se não fosse a divina paciência, prova de amor, que não deseja a morte do pecador e sim sua conversão e vida, já teriam sido golpeados pelo braço onipotente do Altíssimo, como na história do Dilúvio, nos tempos de Noé, e na história de Sodoma e Gomorra, nos tempos de Abraão.
Para os nossos tempos, há os avisos de proféticos de Nossa Senhora, em suas aparições. Na aparição de La Salette (1846), aprovada pela Igreja, entre outras coisas a Virgem Santíssima diz: “Deus vai golpear de modo inaudito. Ai dos habitantes da Terra. Deus vai esgotar sua cólera, e ninguém poderá fugir a tantos males acumulados.” “Não se verá outra coisa senão homicídios, ódio, inveja, mentira e discórdia, sem amor pela pátria e sem amor pela família.” “Os governantes civis terão todos um mesmo objetivo, que consistirá em abolir e fazer desaparecer todo princípio religioso para dar lugar ao materialismo, ao ateísmo, ao espiritismo e a toda espécie de vícios. “A Terra será atingida por toda espécie de flagelos (além da peste e da fome, que serão gerais).”
