
Para aquele que crê, o Espírito da Verdade nos ensina por meio da Sagrada Escritura, que contém palavras divinas transmitas aos homens em linguagem humana. Por esta razão, ela não deve ser pervertida em seus verdadeiros significados e sim ser corretamente compreendida. Assim, ao ler algo das Escrituras devemos considerar a seguinte questão: que verdades estão aqui contidas?
A Bíblia nasce na vida da Igreja, que para alguns escritos disse sim e para outros disse não. Quem desconfia da Igreja deveria desconfiar das Escrituras escolhidas. Assim, diz Santo Agostinho: “Eu não acreditaria no Evangelho se não me movesse a isso a autoridade da Igreja Católica”.
Um método de apreensão de significados das Sagradas Escrituras tem de ser catolicamente aceitável, do contrário é um falso método, com o qual nada se compreende e sim tudo se perverte. Quanto mais importante algo é, mais grave é a sua perversão. Se nas Escrituras há palavras divinas, palavras de vida eterna, pervertê-las tem elevada importância negativa.
Alguns propõem “métodos críticos” na consideração das Escrituras. Humanamente, todo método apropriado tem seu valor e seus limites. A importância crítica de um método está antes de tudo em duas coisas: fazer prevalecer a verdade e escapar da falsidade, ampliar a verdadeira consciência e evitar o engano. Porém, em um método nominalmente crítico, a parte de “palavra divina” pode ser negada ou subestimada, se não explicitamente ao menos como consequência. Um exemplo: ao considerar “sociologicamente” algo descrito na Escritura, falam de “mentalidade da época”, e ao falar disto negam algum milagre sempre acreditado pelos cristãos. Neste caso, os pães multiplicados por Cristo na realidade seria um símbolo da partilha que ele queria ensinar, e não pães milagrosamente multiplicados. Nisto negam que pães possam ser multiplicados de modo extraordinário, que Deus possa fazê-lo e que Cristo seja Deus, no qual habita a plenitude da Onipotência, ele mesmo que disse ser Um com o Pai.
No exemplo, há sociologia e há o “sociologismo”. A sociologia, com seus limites e valor, contêm suas verdades e é uma consideração possível. Porém, o sociologismo, um dos ídolos modernos, que reduz tudo ao social e conforme for a versão tudo relativiza ou politiza, é um engano que engana, uma perversão que perverte.
Opor-se a estas perversões não significa oposição à verdade nem à razão humana, pois é parte importante da sabedoria católica, sabedoria da verdadeira religião, “amar na verdade” e “jamais crer contra a razão”, potências que o próprio Deus concedeu ao homem desde os tempos de Adão e Eva.
