Martírio de São João Batista: Num mundo em que a mentira é poderosa, a verdade paga-se com o sofrimento

Hoje a Igreja faz memória do martírio de São João Batista. Para este grandioso profeta vale aquilo que o Papa Bento XVI disse, em comentários sobre a vida de São Paulo Apóstolo: “Num mundo no qual a mentira é poderosa, a verdade paga-se com o sofrimento. Quem quer evitar o sofrimento, mantê-lo distante de si, mantém distante a própria vida e a sua grandeza; não pode ser servo da verdade nem pode servir a fé”.

São João Batista é o maior dos profetas abaixo de Cristo, que é antes de todos o verdadeiro profeta, o que não significa dizer que os demais profetas merecedores deste nome sejam falsos. Assim, de certo modo, todo verdadeiro profeta é subordinado a Cristo e participante de seu Espírito profético. O precursor, com sua vida exemplar e suas palavras cheias do fogo da divina Sabedoria, prepara as consciências para o Deus-homem, a Verdade encarnada, e ambos, ao seu modo, mostram à mente dos homens o que ela deve escolher e o que ela deve evitar se deseja ser realmente feliz e evitar a infelicidade eterna. Mostram que os homens devem escolher a verdade e evitar a falsidade, devem escolher a virtude e evitar o vício, devem escolher a vontade divina, sempre com máxima sabedoria, e evitar a vontade própria cheia de insensatez, e devem preferir a grandeza eterna que perdura para sempre às grandezas mundanas que se desfazem totalmente na morte, deixando para a alma tão-somente um vazio sem fim. 

São João Batista é o profeta da verdade contra a falsidade, da Sabedoria eterna contra a insensatez humana, da Bondade divina contra a maldade diabólica, da virtude amiga do homem contra o vício destruidor das almas. Nisto ele se assemelha a Cristo, sem ser o Cristo, do qual não é digno de sequer amarrar as sandálias. Ele é o amigo do Esposo, sem ser o esposo, e naquela comunhão que há na verdadeira amizade, eles essencialmente “amam a mesma coisa e detestam a mesma coisa”. O Espírito que nele habita é o Espírito de Cristo, o Espírito de todos os verdadeiros profetas, o Espírito da Verdade, a Verdade eterna e onipotente.

São João Batista é, por vontade divina, o profeta da correção, que remove os obstáculos, que prepara o caminho, que dispõe mentes e corações para os tesouros que lhes esperam. Quando ele diz convertei-vos, isto significa “transformai-vos no que é benéfico se transformar”, “corrigi-vos no que é preciso se corrigir”, para receberem a salvação que vem Deus, para que sejam como a terra boa que receberá as sementes da divindade e dará frutos de vida eterna.

São João Batista ensina a verdadeira religião e prepara para a verdadeira religião, que é o Cristo e sua autêntica Igreja, assim como ensina a verdade e prepara para a Verdade. Nele, em oposição ao que é falso, o que é verdadeiro tem máxima importância, ante de tudo se diz respeito à religião, ao caminho de salvação eterna revelado pelo Criador. Neste sentido, como seus antecessores no Povo de Israel, entre os quais está o profeta Jeremias, ele é o profeta do verdadeiro Deus e da verdadeira religião.

Assim, sem se comportarem como Deus, dando sentenças de condenação das almas que cabem apenas à Consciência divina, sem contradizer aquilo que o Divino Jesus ensina a este respeito, como verdadeiros porta-vozes do Criador, como verdadeiros profetas e apóstolos, com o poder que lhes foi concedido, dizem os julgamentos divinos, comunicam as avaliações divinas que o próprio Deus quis. Assim, disse a Jeremias: “Levanta-te e comunica-lhes tudo que eu te mandar dizer”. Antes de Cristo, com Cristo e depois de Cristo, por bondade dizem o verdadeiro e o falso, o bem e o mal, o correto e o incorreto, com a marca do sofrimento em suas vidas. Como diz Davi no Salmo 70: “Minha boca anunciará vossa justiça!”

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