
São Paulo fala dos efeitos produzidos pela Palavra Divina naqueles que de fato abraçaram a fé, efeitos que são como sinais de reconhecimento, no sentido do “pelos seus frutos os reconhecereis” ensinado por Cristo. Como a Palavra de Deus é espírito e vida e como o Espírito é o Espírito da Verdade, então naquele que a abraçou ela vivifica a devida estima pela verdade e o devido desprezo pela falsidade, um dos significados do Primeiro Mandamento.
Cristo, que é a Verdade e a Vida, fala contra a duplicidade dos mestres da Lei e dos fariseus, duplicidade que é um dos nomes da falsidade, pois contém contradição, negação. “Por fora pareceis justo… mas por dentro estais cheios de injustiça”. É como a duplicidade da língua da serpente, do pai da mentira, do espírito da falsidade.
Isto quer dizer que nos mestres da Lei, por não caminharem interiormente na verdade e na virtude, falta o domínio do Espírito, que é o domínio da verdade e da virtude. O Deus que ama a sinceridade no homem, pois ela é um dos nomes da verdade. Assim, diz o Salmo 9: “As palavras do Senhor são palavras sinceras, puras como a prata acrisolada, isenta de ganga, sete vezes depurada”. O Deus que ama o homem quer habitar nele como Espírito da Verdade, quer exercer em sua alma seu domínio frutuoso. Não há falsidade totalmente escondida, pois Deus, que é a Verdade Onipotente, tudo vê. Assim, diz Davi no Salmo 138: “Em que lugar me ocultarei de vosso espírito?… Se eu subir até os céus, ali estais; se eu descer até o abismo, estais presente”.
Como filhos daqueles que mataram os profetas, não acolheram a Cristo porque ele é a Verdade, foram cumplices na morte de Cristo porque ele é a Verdade. Para a falsidade, a verdade é como uma inimiga mortal. Para a verdade, a falsidade é como uma mancha horrenda em sua pureza. No homem, o trono é de uma ou da outra. Em toda a realidade, o trono é sempre da Verdade onipotente, pois o trono de Deus não é perecível como o trono dos homens, o domínio de Deus não é passageiro como o domínio dos homens. Assim, diz o Salmo 9: “O Senhor, porém, domina eternamente; num trono sólido, ele pronuncia seus julgamentos”.
