“Espiritualidade” e “sentir-se bem”: examinai se os espíritos são de Deus

São Jerônimo, doutor da Igreja, participante da sabedoria do Divino Mestre, ensina que “ignorar as Escrituras é ignorar Cristo”. Assim, do mesmo modo que não devemos ignorar Cristo, por ser quem é, o Deus-homem, não devemos ignorar as Escrituras. A verdadeira religião é Cristo e seu Corpo Místico, sua Igreja Apostólica. A Sagrada Escritura ensina sobre Cristo e sobre os valores supremos da verdadeira religião. No Salmo 25 Davi diz: “Tenho sempre diante dos olhos vossa bondade, e caminho na vossa verdade”. No Evangelho Jesus Cristo diz: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim”. Verdade, bondade e vida feliz, três valores supremos da religião ensinada pelo Deus vivo e verdadeiro.

Para a vida feliz, alguns ensinam a necessidade de uma “espiritualidade”, porém “espiritualidade” sem verdade e sem virtude é espiritualidade do diabo, pai da mentira, consequentemente não é a espiritualidade da verdadeira religião, que é sempre da verdade e do amor, inseparavelmente. A espiritualidade do diabo ensina que tanto faz a “religião”, que não há problema em ir à Missa, depois ao “culto protestante” e depois ao “centro espirita”, se com isto “me sinto bem”. O “sentir-se bem” pode ser um mau conselho da carne e nem sempre é um critério confiável, porque pode ser enganoso. Cristo sofreu, o que significa que sentiu no corpo e na alma o que lhe era desagradável. No Horto das Oliveiras sentiu “tristeza mortal”, intensa agonia. Não “se sentiu bem”, mas permaneceu na verdade e na virtude: “Pai, afasta de mim este cálice, se assim for a Vossa vontade”.      

Certa vez o profeta Elias, contra as misturas indevidas, opostas à Sabedoria Divina, advertiu o povo de Israel: “Até quando claudicareis dos dois pés? Se o Senhor é Deus, segui-o, mas se é Baal, segui a Baal!”. Nesta mesma história, o profeta desafiou os quatrocentos e cinquenta falsos profetas de Baal e os venceu com o auxílio divino, nisso mostrando ao povo o verdadeiro Deus: “Vendo isso, o povo prostrou-se com o rosto por terra e exclamou: “O Senhor é Deus! O Senhor é Deus!”.

Em sua carta, o Apóstolo São João ensina: “Caríssimos, não deis fé a qualquer espírito, mas examinai se os espíritos são de Deus, porque muitos falsos profetas se levantaram no mundo. Nisto se reconhece o Espírito de Deus: todo espírito que proclama que Jesus Cristo se encarnou é de Deus; todo espírito que não proclama Jesus esse não é de Deus, mas é o espírito do Anticristo de cuja vinda tendes ouvido, e já está agora no mundo”. Assim, em razão do supremo valor da verdade, não posso ser católico e espírita, porque, entre tantas oposições importantes, no espiritismo é negado que Cristo seja Deus Encarnado; e não posso ser católico e protestante, porque o protestantismo nasce como negação do que é essencial na Igreja Católica e ofende a Sagrada Eucaristia, o que significa ofender Cristo, pois a Eucaristia é Cristo, em seu corpo e sangue, alma e divindade.      

O sentir-se bem da verdadeira religião passa necessariamente pela verdade e pela virtude, pela sabedoria e pelo amor, e será experimentado em plenitude no Reino dos Céus, a vida eterna prometida pela Misericórdia Divina onipotente.

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