
A verdade não pode contradizer a verdade, não pode negar a si mesma. Consequentemente, se os conteúdos da fé são verdadeiros, eles não podem contradizer as verdades que a razão humana conhece. Deus é a Verdade Eterna, totalmente e sempre verdadeiro. A verdade é luz e as verdades de cada ser são como feixes da Luz divina.
Na verdadeira religião, os mistérios da fé, segredos do ser, significam limites da mente finita do homem em si mesmo finito, jamais contradição. Não são mistérios em si, segredos absolutos, pois se assim fossem nem Deus poderia sabê-los, o que é impossível ante a Onisciência Divina tudo conhece totalmente e intimamente. Por ser impossível, é sem sentido falar da ressurreição de quem não morreu, embora não seja impossível a ressureição de quem morreu. A primeira é uma contradição e a segunda um mistério, separados pela possibilidade e pela impossibilidade absoluta.
Se não é uma impossibilidade, o mistério – ou o fato milagroso – ensina o que é possível. Cada ser possui o seu logos, seu modo próprio de ser, que diz suas possibilidades e impossibilidades. A água pode destruir uma cidade, porém não pode, como trabalhador habilidoso, construir uma cidade. Se Cristo andou sobre as águas, isto quer dizer que é possível andar sobre as águas. Este fato nos ensina algo sobre o ser da água, que vale para tudo o mais: se há o logos de cada coisa, há o Logos em todas as coisas, o Logos Divino, vivente e onipotente, o Senhor do universo. Quer dizer, há um governo divino do cosmos que se mostra de diferentes maneiras para a mente humana em sua vida terrena. No que é comum e no que é incomum, o Criador fala por meio de sua criação, que dele recebe a existência a todo instante. Assim, Cristo, a Sabedoria Encarnada, para os tempos profetizados fala dos sinais dos tempos presentes na criação, no céu e na terra.
O salmo 123 diz: “Todos esses seres esperam de vós que lhes deis de comer em seu tempo. Vós lhes dais e eles o recolhem; abris a mão, e se fartam de bens. Se desviais o rosto, eles se perturbam; se lhes retirais o sopro, expiram e voltam ao pó donde saíram. Se enviais, porém, o vosso sopro, eles revivem e renovais a face da terra”.
