Viver abandonado à providência divina e ser seu instrumento com generosidade

“(…) Todo homem se preocupa em obter bem-estar material, uma casa elegante, uma renda segura, confortos elegantes, e muitas vezes faz sacrifícios imensos para conseguir isso, e às vezes até compromete sua alma. Mas os bens materiais não prolongam a vida, muito menos a tornam eterna; anos, meses, dias passam e tudo deve ficar para trás. É um pensamento terrível que deveria nos tornar sábios.

Há quem acumule dinheiro, casas, objetos de arte, joias, moedas de ouro, livros raros e se apegue a essas coisas. Mas para que servem? Após a morte, eles são desperdiçadas por outros e não dão outra herança senão um túmulo! Quem está apegado a essas coisas só se preocupa em preservá-las, não tem o coração livre em Deus, não tem um caráter capaz de resistir ao mal e, tendo oportunidade, cai no abismo do pecado ou da apostasia. Às vezes tememos mais a privação dos bens materiais do que a própria morte e, diante do perigo de perder a nossa posição, permanecemos hesitantes e recorremos a todos os subterfúgios do oportunismo.

(…) Tudo é precário na vida, exceto a confiança em Deus.

Jesus Cristo, com palavras muito ternas e comparações admiráveis, exorta os seus discípulos e cristãos de todos os tempos a ter uma confiança tão plena e ilimitada em Deus que torne o seu caráter forte e inabalável em qualquer provação. A vida vale mais que a comida, e o corpo mais que a roupa; agora, Deus que deu a vida e que deu o corpo não dará comida e roupa àqueles que nele confiam? Ele mostra a sua providência até nos animais e fornece-lhes alimento, embora eles não semeiem, não colham e não tenham despensas nem celeiros. (…) Nossa verdadeira segurança está em Deus, porque nossa vida depende Dele.

(…) Se você tem um emprego, pode perdê-lo ou ficar doente; se você tiver campos, eles podem ficar estéreis; se forem casas, podem ruir ou ficar sobrecarregadas com impostos; se um ente querido cuida de você, ele pode falhar. Tudo é precário, exceto confiar em Deus, seguir a sua vontade, servi-lo e esperar da sua bondade o sustento e as necessidades da vida.

(…)

Estando desapegados de tudo, vivendo sempre provisoriamente na terra, esperando tudo de Deus e trabalhando não tanto para ganhar, mas para cumprir a sua vontade na missão que ele nos dá, aqui está o segredo maravilhoso de uma plácida superioridade de caráter e de uma paz profunda, que ninguém pode perturbar e ninguém pode sobrecarregar.

(…)

Viver não apenas abandonado à providência divina, mas ser seus instrumentos com generosidade, esmola, assistência aos outros, olhar para os bens eternos que ninguém nos pode tirar significa colocar o coração nos céus, procurar ali um tesouro eterno, e importando-se pouco com a violência ou abuso dos homens.” (Dolindo Ruotolo, sacerdote e místico católico, italiano, séc. XX)

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