Quem ousaria supor?

“Quem ousaria supor que Tu, ó Deus infinito e eterno, me amaste há séculos, ou melhor dizendo, antes dos séculos? Tu, de fato, me amas desde o momento em que existes como Deus, em consequência, me amaste e me amarás sempre!… Mesmo que eu ainda não existisse, Tu já me amavas, e justamente pelo fato de me amares, ó bom Deus, me chamaste do nada à existência!…

Para mim criaste os céus repletos de estrelas, para mim criaste a terra, os mares, os montes, os rios e muitas, muitas coisas belas que existem sobre a terra…

Mas isto não basta: para mostrar-me de perto que me amas como muita ternura, desceste do céu, das mais puras delícias do Paraíso para esta terra enlameada e cheia de lágrimas, viveste no meio da pobreza, aos trabalhos e sofrimentos; e no fim, desprezado e escarnecido, quiseste ser suspenso dolorosamente num infame patíbulo em meio a dois ladrões… Ó Deus de amor, remiste-me desta forma terrível, mas generosa!

Quem ousaria supor?

Tu, porém, não te contentaste com isto, mas, ao ver que passariam dezenove séculos desde o momento em que se revelaram estas demonstrações do teu amor e eu aparecesse na terra, encontraste uma solução também para isto! O te Coração não permitiu que eu me nutrisse unicamente das lembranças do teu imenso amor. Permaneceste neste desprezível terra no santíssimo e admirável Sacramento do altar e agora vens a mim e te unes estreitamente comigo sob a forma de alimento… O teu Sangue já corre no meu sangue, a tua Alma, ó Deus encarnado, se compenetra com a minha alma, fortalecendo-a e alimentando-a.

Que milagres! Quem ousaria supor?

O que mais poderias dar-me, ó Deus, depois de já teres te oferecido a mim em propriedade?…

O teu Coração ardente de amor por mim, sugeriu-te ainda outro dom, sim, outro dom ainda!…

Tu nos mandaste que nos tornássemos como crianças, se quiséssemos entrar no reino dos céus {Mt 18,3}. Tu sabes muito bem que uma criança tem necessidade de uma mãe: Tu mesmo estabeleceste esta lei de amor. Portanto, a tua bondade e a tua misericórdia criaram para nós uma Mãe, que é a personificação da tua bondade e do teu amor infinitos, e da Cruz, sobreo Gólgota, a ofereceste a nós e nós a Ela… Além disso decidiste, ó Deus, que nos ama, constituí-la onipotente dispensadora e medianeira de todas as graças: Tu não negas nada a Ela, e Ela não é capaz de negar nada a ninguém…

Quem, portanto, poderá então perder-se? Quem não alcançará o Paraíso?

Provavelmente só um insensato, um teimoso abominador de si mesmo não quer consciente e voluntariamente salvar-se… e foge para longe da melhoro das mães e despreza sua mediação.

Olhamos cá e lá na terra. Quantas graças da Mãe Imaculada se registraram nos pergaminhos amarelados, nos toscos documentos em folha dos séculos passados e em inumeráveis montes de livros e folhetos!… E mais, quantos ainda nem sequer foram colocados por escrito, e não o serão jamais!

(…) Quem ainda não experimentou, que experimente! Veja, e se dê conta pessoalmente: perceberá quanto é poderosa e boa a Mãe de Deus e Mãe nossa.

De verdade, quem ousaria supor tudo isto, se não existisse a voz da fé e a clara experiência de cada dia?…”. (São Maximilano Kolbe, novembro de 1929. Do livro “Escritos de São Maximilano Kolbe”, pág. 1711).

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