Deus conhece tudo o que se pode saber, nada se pode acrescentar ao que ele é, nem nada lhe tirar

Como é impossível que algo venha do nada, o ser eterno significa o ser em toda a sua plenitude, dado de uma só vez em toda a sua atualidade, com todas as possibilidades do ser nele contidas; é a simultaneidade absoluta, infinitamente além do tempo, que é apenas uma de suas possibilidades. Este ser é o próprio ser divino, o próprio Deus. Há um sentido em que podemos falar de possibilidades no ser de Deus e em outro não.

Podemos falar no sentido de que nada existe fora de Deus, de que Deus, o ser infinito, é aquele que tudo contém. Neste sentido, por exemplo, todas as criaturas possíveis e as realmente criadas estão em Deus, como possibilidades do ser, porém não como divinas, como se fossem por si mesmas portadoras da essência divina.

Por outro lado, não podemos falar de possibilidade em Deus no sentido de haver em Deus, como há no homem, uma mistura de atualidade e possibilidade, o que significaria que Deus não é tudo quanto pode ser. Isto é falso, porque Deus é em ato, em exercício, tudo quanto pode ser, de modo que Ele não pode crescer nem diminuir, não pode ser mais nem menos do que é, caso contrário não seria Deus: é por toda a eternidade imutavelmente o mesmo na plenitude de seu ser, é o Ato Puro.     

A plenitude do ser significa a plenitude do saber. Assim, além de ser em ato tudo quanto pode ser, Deus conhece tudo o que se pode saber, de um só vez, simultaneamente. É a Mente infinita onipotente, a Consciência onisciente que, com relação à sequência própria do tempo, é presciente.  

Neste sentido, no livro de Eclesiástico (42) é dito: “(…) Ele sonda o abismo e o coração humano, e penetra os seus pensamentos mais sutis, pois o Senhor conhece tudo o que se pode saber. Ele vê os sinais dos tempos futuros, anuncia o passado e o porvir, descobre os vestígios das coisas ocultas. Nenhum pensamento lhe escapa, nenhum fato se esconde a seus olhos. Ele enalteceu as maravilhas de sua sabedoria, ele é antes de todos os séculos e será eternamente. Nada se pode acrescentar ao que ele é, nem nada lhe tirar; não necessita do conselho de ninguém. Como são agradáveis as suas obras! E todavia delas não podemos ver mais que uma centelha”.

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