“Como a inteligência é anterior à Escritura, é dela que provém a sabedoria necessária para sua compreensão”

Pode-se dizer que a Sagrada Escritura é a “Palavra de Deus em linguagem humana”. Nela há duas realidades distintas, uma infinita e outra finita, em certo modo de relação.  No salmo 32 é dito: “Pela palavra do Senhor foram feitos os céus, e pelo sopro de sua boca todo o seu exército (…). Porque ele disse e tudo foi feito, ele ordenou e tudo existiu”.

Por experiência, podemos dizer que a palavra humana possui um duplo aspecto: enquanto nome que diz o que é, que de certo modo aponta o ser, e enquanto instrumento de comunicação entre duas ou mais consciências, de comunhão entre múltiplas mentes. Consequentemente, a palavra humana, que significa a linguagem humana, supõe o ser e a consciência, de modo que sem o ser e a consciência não haveria linguagem. Na Palavra de Deus também há o ser e a consciência, porém não do mesmo modo, porque antes de tudo a Palavra de Deus é o próprio Ser, que é a própria Consciência Divina. Quer dizer, a Palavra de Deus não apenas diz a realidade, ela é a própria realidade. Por isto, o Logos Divino é o Verbo Divino, por meio do qual todas as coisas foram criadas e são conservadas no ser.

Assim, por sua relação com o ser e a consciência, a palavra-linguagem humana possui um grau de semelhança finita com a Palavra de Deus, assim como o ser humano, a humanidade, possui um grau de semelhança finita com o Ser Divino, a Divindade. Por isto, como revelação concedida pelo próprio Deus, é dito no livro de Gênesis: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”. Assim Deus o criou.

Deus Pai ensina a Santa Catarina de Sena seguinte: “Como a inteligência é anterior à Escritura, é dela que provém a sabedoria necessária para sua compreensão. Foi por tal modo que os santos profetas entenderam e falaram sobre a encarnação e morte de meu Filho; que os apóstolos  foram sobrenaturalmente iluminados com a vinda  do Espírito Santo em Pentecostes; que os evangelistas, doutores, confessores, virgens e mártires acolheram brilhante luz”.  

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