
A verdade e a certeza são dois valores importantes da vida humana, da vida da consciência, o que inclui a religião, a filosofia e a ciência. Com relação à mente humana, o desejo de verdade e de certeza supõem suas possibilidades opostas. Assim, o desejo de certeza supõe a possibilidade da incerteza, da dúvida, e o desejo de verdade supõe a possibilidade da falsidade, do engano, da ilusão. Enquanto valores desejados, que se apresentam como desejáveis pelo que significam para a mente humana, isto supõe que a certeza é melhor que a dúvida e que a verdade é melhor que a falsidade. A este respeito Santo Agostinho, instruído pela Sabedoria divina, ensina: “A felicidade da vida é a posse da verdade, ou seja, a posse de Ti que és a Verdade”.
Quanto a qualquer realidade, quando a possibilidade de engano está excluída em razão da impossibilidade de ser de outro modo, então há aí uma certeza objetiva e uma verdade objetiva, ambas inegáveis em suas razões. A própria existência da verdade é uma certeza absoluta, é de todos os modos inegável. O filósofo medieval e beato católico Duns Scoto diz: “a verdade é desse modo, porque se afirmas que há a verdade, então tens de afirmar que tal é verdadeiro, e assim há a verdade; se negas que há a verdade, então é verdadeira a verdade de que não há. E assim alguma verdade há”. Quer dizer, é necessariamente assim, não pode ser de outro modo, portanto não há neste caso possibilidade de engano.
Em seu “Itinerário da mente para Deus” São Boaventura ensina: “A nossa inteligência compreende realmente uma afirmação, quando sabe com certeza que ela é verdadeira. E saber isso é saber verdadeiramente, porque se tem certeza de não se enganar. Com efeito, a inteligência sabe que uma afirmação é verdadeira quando não pode ser de outra maneira e que, por conseguinte, é uma verdade imutável. Mas, com o nosso espírito está sujeito à mutação, não poderia ver a verdade de maneira imutável sem o socorro duma luz invariável – a qual não pode ser uma criatura mutável. Se ele conhece a verdade, conhece-a, pois, naquela luz que “ilumina todo homem que vem a este mundo”, a qual é “a verdadeira luz” e “o Verbo que no princípio estava em Deus”.
