
Logo no início do livro de Gênesis é dito: “No princípio, Deus criou os céus e a terra”. A criação é um ato da Onipotência Divina. Tudo o que principia começar a ser pelo divino Poder. Se é assim, o cosmos, o universo, não pode ser corretamente compreendido sem a consideração da Onipotência que o fez surgir do nada, e que abrange toda a criação e nela permanece a todo instante. Cada fato novo nos cosmos pertencente de certo modo à criação.
Para poder é necessário ser. O ser pode e o não-ser não pode. O não-ser absoluto significa a impotência total, enquanto que o ser absoluto significa o poder absoluto, a onipotência. Porque Deus é a plenitude do ser, o Ser Absoluto, Ele é simultaneamente Onipotente, pode tudo na totalidade do possível, que pertence à totalidade do ser. Deus pode fazer tudo o que pode ser feito. Isto não inclui a impossibilidade absoluta, o absurdo, a contradição, que não pertence ao ser, mas é puro nada sem sentido, que repugna o Logos Divino.
Como exercício da Onipotência Divina, a Criação é um ato da Vontade de Deus. E como mostra Santo Tomás de Aquino, em sua Suma Filosófica, Deus não quer o impossível. Entre várias razões, uma é: o absolutamente impossível é aquilo que não pode ser, e se não pode ser, também não pode ser bom, não pode ter bondade, e assim não pode ser querido, já que o querer exige o ser e o bem. Neste sentido, quando no Gênesis é dito que “e viu Deus que era bom”, o ver significa simultaneamente saber, querer e criar. A simultaneidade dos atos divinos, que na realidade é um só, é para a mente humana uma dos mistérios do ser, porque não corresponde à nossa experiência “natural”, “comum”, tanto que São Paulo Apóstolo diz em sua carta aos Coríntios: “Hoje vemos como por um espelho, confusamente; mas então veremos face a face. Hoje conheço em parte; mas então conhecerei totalmente, como eu sou conhecido”.
