
O mal é negação, é ausência. Toda negação é negação de algo e toda ausência é ausência de algo, necessariamente. Isto significa que, como oposto, sem o bem não há o mal, sem bondade não há maldade. A maldade supõe a bondade, o mal supõe o bem. Assim, o bem antecede o mal e pode existir sem ele, enquanto o mal não pode existir sem o bem, quer dizer, não existe por si mesmo. Santo Tomás ensina em sua “Suma contra os Gentios”: Nenhuma essência é em si mesma má. Com efeito, o mal, como acima dito, nada mais é que a privação daquilo que uma coisa está destinada a ter e que deve ter”; “… Por isso, o mal, sendo privação daquilo que é natural, não pode ser natural a coisa alguma”.
Vemos isto nos julgamentos morais. Quando dizemos que algo é mau, necessariamente dizemos que não é como deveria ser, o que seria o bom, que sempre é suposto. Santo Agostinho diz em seu escrito “A Verdadeira Religião”: É privilégio das almas puras conhecer a lei eterna, mas não o direito de a julgar. Isso porque há esta diferença: para conhecer, basta constatar que uma coisa é assim ou não. Para julgar, porém, nós acrescentamos alguma coisa por onde significamos que ela pode ser também de outro modo. É como se disséssemos: deve ser assim, ou deveria ter sido assim, ou ainda: deveria ser assim. Tal atitude é a dos artistas diante de suas criações”.
Assim, estão enganados aqueles que negam a existência de Deus em razão da existência do mal. Sob certo aspecto o mal é sempre negação do bem, porém sob outro aspecto o mal é afirmação do bem. Sem o Bem Absoluto, o Bem Eterno, não faz sentido falar em mal de fato.
