Divina ordem do ser: “O corpo (eucarístico) do meu Filho é um sol; constitui uma só coisa comigo, que sou o sol”

“No princípio, Deus criou o céu e a terra. A terra estava sem forma e vazia; as trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas. Deus disse: ‘Faça-se a luz!’. E a luz foi feita”.

Na divina ordem do ser há antes, desde toda a eternidade, a ordem do Ser Absoluto e depois a ordem das criaturas finitas, necessariamente relativas. Inversamente, na ordem da criação há antes o não-ser e depois o ser, porque “informe”, “vazia” e “trevas” significam ausências. Neste sentido, o Espírito de Deus que pairava sobre as águas significa também as puras possibilidades da Onipotência Divina, da qual nascem as criaturas. Assim, o dizer de Deus significa as palavras de sua Sabedoria Onipotente, que é ao mesmo tempo sua Onipotência perfeitamente sábia. É o Logos Criador, e tudo que Ele faz possui sentido, razão, verdade, porque é próprio da perfeição de seu Ser, como o artista que deixa suas marcas nas obras de sua arte.

Pelo Logos, Deus criou tudo com significado, e cada coisa, como uma ideia divina, possui múltiplos sentidos, a exemplo daqueles de suas relações, como os sentidos simbólicos. Pertence à ordem da criação os simbolismos como ideia divina. Deus fala na criação e fala por meio dos símbolos nela presentes.  Por exemplo, o sol como criatura na Mente Divina foi criado como um astro celeste iluminador, mas também como um símbolo de alguns simbolizados.

Na Sagrada Escritura, Zacarias, em profecia sobre seu filho São João Batista, fala de Cristo como “o Sol nascente”: ““E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor e lhe prepararás o caminho, para dar ao seu povo conhecer a salvação, pelo perdão dos pecados. Graças à ternura e misericórdia de nosso Deus, que nos vai trazer do alto a visita do Sol nascente, que há de iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte e dirigir os nossos passos no caminho da paz”. No livro do Apocalipse é dito outra profecia: “Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas”. Em um de seus sentidos, a mulher vestida de sol significa Maria Puríssima e sua presença decisiva nos últimos tempos.

Nos diálogos com Santa Catarina de Sena, a Sagrada Eucaristia é chamada por Deus Pai de “sol eucarístico”: “O corpo (eucarístico) do meu Filho é um sol; constitui uma só coisa comigo, que sou o sol. Impossível nossa separação, como acontece no sol, no qual o calor não pode ser dissociado da luz, e a luz, da claridade. O sol também ilumina toda a terra, sem deixar sua esfera celeste, aquecendo os seres que se expõem aos seus raios; nem se mancha a sua luz na imundície. Pois bem, o mesmo acontece com o sol-Eucaristia – todo-Homem e todo-Deus”.

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