O Deus Uno visível pela razão humana é desde sempre o Deus Uno e Trino da Revelação em Cristo

O verdadeiro Deus da razão humana é o verdadeiro Deus da Revelação divina em Cristo, a Sabedoria encarnada, porque a verdade não pode contradizer a verdade. A diferença entre essas ordens de verdades a respeito do único Deus não está em Deus mesmo, no próprio Ser de Deus, mas diz respeito à mente humana, à relação do homem com o Ser Divino, este em sua Onipotência e aquele com o limitado poder de sua consciência. Enquanto ordens de verdades sobre a Essência Divina, não há entre elas relação de contradição, e sim relação de mais e menos, de transcendência, de superação.

Um conhecimento pode ser importante pelo menos de dois modos: enquanto conhecimento mesmo e enquanto conhecimento deste ou daquele ser. As duas ordens importam porque contêm conhecimentos – verdades – e ainda mais porque são sobre Deus, o Ser Absoluto, que é simultaneamente o Valor Absoluto, pois ser é valer, quer dizer, tudo o que vale, donde a importância, vale por ser algo e não um nada e por ser o que é, e assim o nada não vale nada porque nada é em si mesmo.

Que Deus é Uno, Unidade Absoluta, a razão humana pode alcançar, por razões necessárias, pelas necessidades absolutas do ser, e assim é capaz de reconhecer sem engano que é verdade. Que o mesmo Deus Uno é Uno e Trino, a razão humana não é capaz de alcançar por si mesma, situação da qual não pode sair sem o auxílio da Divindade Onipotente. Que Deus é Uno e Trino, uma só Essência Divina na qual há três Pessoas igualmente divinas, sem com isto ser três deuses, ensina a revelação em Cristo, do Deus que conhece totalmente a si mesmo e pode comunicar aquilo que conhece. Enquanto algo que ultrapassa seu poder, a razão não o diz a Trindade de Deus como algo evidente, não porque a negue como algo sem sentido, e sim porque, se ela pode ver, só pode até certo ponto. Seja como for, como tal divisão não está em Deus mesmo, o Deus Uno visível pela razão humana é, simultaneamente, desde sempre, Uno e Trino, e assim permaneceria mesmo se não houvesse criação nem revelação.     

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