“No princípio era o Verbo e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus”

O Apóstolo São João ensina: “No princípio era o Verbo e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus” (Jo1, 1-2).

Há antes o Ser e não o nada. Este Ser Eterno é o primeiro princípio de tudo que tem um princípio. Enquanto causa total do ser, enquanto causa universal, Ele abarca tudo aquilo que é principiado. Não é possível que haja antes o nada absoluto porque dele nada pode surgir, nada pode principiar. No princípio, desde toda a eternidade, em vez da pura impotência do nada absoluto, há a pura onipotência do Ser Eterno, do Ser Divino. A presença do ser em face do nada absoluto significa uma presença eterna e total; é o Ser eternamente e totalmente presente com tudo o que Ele é ou contém.

Como o princípio é o próprio Deus, porque nada pode haver antes e acima de Deus, em Deus desde sempre houve o Verbo, ele mesmo Divino. Porque não pode haver dois deuses, o Verbo que “estava junto de Deus” significa que Ele está unido a Deus em sua Unidade Absoluta. Assim, o Verbo não é outro “deus”, mas diz respeito à realidade divina mesma em sua vida interior. Como é entendido corretamente no verdadeiro cristianismo, o Verbo é uma das Pessoas Divinas na Essência Divina absolutamente Una, desde sempre em absoluta imutabilidade. O Verbo é o Filho Eterno do Pai Eterno, gerado desde toda a eternidade, na simultaneidade absoluta, sem começo nem fim, dos quais, do mesmo modo, procede a Pessoa Divina do Espírito Santo, o Amor Eterno que une o Pai e o Filho.

O Verbo pode ser dito Sabedoria ou Ciência de Deus. Considerada em si mesmo, a Sabedoria Divina é antes de tudo a Sabedoria que Deus tem de si mesmo. Quando Deus diz para Moisés que seu nome é “Eu sou Aquele que sou”, Deus diz isto porque tem consciência de si, do seu próprio Ser; e o ser de Deus é o próprio Ser. Assim, corretamente compreendido, Deus é como que o Ser em pessoa, o que equivale a dizer que o Ser Puríssimo é a Essência Divina vivente, com Vida Eterna absoluta, na pura onipotência da Sabedoria Onisciente.

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade”.

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