
Nas criaturas, que compõem o cosmos, há a verdade e a bondade de suas essências, que correspondem à vontade da Sabedoria Divina, e dizem como devem ser, um logos que é simultaneamente lei. Só se pode falar de perversão porque há a verdade e a bondade da essência, pois perverter é de certo modo negar como algo deve-ser, é negar o Criador e sua criação, como se fosse superior a Ele em inteligência.
Isto vale para a Igreja, na verdade e bondade de sua essência e com as possíveis perversões de seu ser ante a liberdade das criaturas espirituais. Diretamente ou indiretamente, por meio de seus instrumentos, é o Cristo-Verdade quem diz o que é a verdadeira Igreja, o que vale como “deve ser sempre assim”, em todas as gerações.
Por exemplo: a Unidade na Verdade pertence à essência da Igreja de Cristo, enquanto ideia divina. Tal unidade exclui a falsidade, que em sua multiplicidade ilegítima significa divisão, como a do reino dividido contra si. Sem esta unidade na verdade, como que uma imitação da Unidade Divina, um eco do Ser Puríssimo, a Igreja não pode subsistir, estaria destinada a perecer. No Evangelho de São Mateus está escrito: “Jesus, porém, penetrando nos seus pensamentos, disse: ‘Todo reino dividido contra si mesmo será destruído. Toda cidade, toda casa dividida contra si mesma não pode subsistir’”.
