
Considerada na totalidade do ser, a razão humana não pode por si mesma conhecer tudo aquilo que pode ser conhecido. A limitação humana, da qual toda pessoa têm experiência, é limitação no ser e no poder, o que inclui limitação no poder-conhecer. Uma coisa que é essencialmente um misto de ser e não-ser e de poder e não-poder, não pode ter uma mente onipotente, uma consciência onisciente.
Porque a razão humana pode e não pode, e porque na consideração sobre si mesma é possível se enganar, ela pode ser subestimada e superestimada. Quando dizem que não pode o que na realidade pode e que não vale o que na realidade vale, é subestimada. Quando dizem que pode o que não realidade não pode e que vale o que na realidade não vale, é superestimada.
Como em sua finitude a razão humana é simultaneamente pode e não-poder, isto está presente necessariamente em sua relação com Deus, em seu modo de ser, como ser infinito existente, e nos modos como pode ser conhecido. Assim, se Deus é o Onipresente Criador de todas as coisas, algo de Deus a razão humana pode naturalmente conhecer; e a este respeito São Paulo Apóstolo diz em suas Carta aos Romanos: “A ira de Deus se manifesta do alto do céu contra toda a impiedade e perversidade dos homens, que pela injustiça aprisionam a verdade. Porquanto o que se pode conhecer de Deus eles o leem em si mesmos, pois Deus lhes revelou com evidência. Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à inteligência, por suas obras; de modo que não se podem escusar”.
E se Deus é o Infinito, nem tudo de Deus a razão humana pode naturalmente conhecer; e se Deus é a Bondade Onipotente, a razão humana pode conhecer mais do que poderia por natureza.
Na “Suma contra os gentios”, Santo Tomás ensina: “Porque o homem é homem por causa da razão, é necessário que o bem que lhe é próprio, que é a felicidade, seja segundo a razão./ A felicidade última do homem está na contemplação da verdade. Aliás, essa é única atividade própria do homem , e dela de nenhum modo outro animal participa./ A felicidade última do homem consiste na contemplação da sabedoria, cujo objeto são as coisas divinas”.
