
Diz um filósofo que “a opinião é um assentimento da nossa mente sobre coisas contingentes, que podem ser e podem não ser”.
Por haver nela um grau de incerteza, consequentemente um grau de ignorância, a opinião exclui a certeza absoluta e a certeza absoluta exclui a opinião. Porque nem tudo é contingente e no homem vivente não reina a ignorância absoluta, nem tudo é opinável, nem tudo é mera questão de opinião. Inegavelmente, a verdade e a certeza são superiores à opinião, porque significam mais perfeição para a consciência humana, que é uma potência feita para conhecer. A mente humana, enquanto mistura de atualidade e possibilidade, é aperfeiçoada na verdade e na certeza, sendo para ela a opinião uma vida inferior. Por esta e por outras, pode-se dizer que a verdade e a certeza são dois valores importantes da vida humana, para a vida da consciência.
Não podem ser consideradas mera opinião que um “círculo quadrado é absolutamente impossível”, que “a todo consequente corresponde necessariamente um antecedente”, que “o que faz é superior ao que é feito”, que “existe verdades absolutas”. Enquanto realidades imateriais percebidas pela inteligência, quanto à elas há certeza, estão acima de qualquer dúvida razoável.
Em sua “Suma contra os gentios”, Santo Tomás de Aquino diz: “Com efeito, aperfeiçoa-se a alma humana pela ciência e pela virtude, pois, pela ciência, tanto mais é aperfeiçoada quanto mais considera as coisas imateriais, e a perfeição da virtude consiste em o homem não seguir as paixões corpóreas, mas em refreá-las e temperá-las pela razão”.
