
Ainda que nem todos amem a verdade, só esta pode ser a base de uma felicidade duradoura.
A verdade é uma
Bem sabemos, contudo, que na vida concreta às vezes agimos como se num mesmo problema o “não” e o “sim” podem ser ambos verdadeiros. Não é difícil, por exemplo, experimentar em nós mesmos, que às vezes agimos com a convicção de que a Divina Providência nos assiste, e que em outras ocasiões nos preocupamos de maneira exagerada, como se esta Divina Providência não existisse. Portanto, a Divina Providência ou existe ou não existe. Igualmente é verdade, por exemplo, que neste momento eu estou escrevendo estas palavras e que você, calor leitor, as está lendo. Diante disso, não pode ser verdadeira a frase contrária, ou seja, que eu não tenha escrito estas coisas, ou que você não as esteja lendo. De fato, sobre este mesmo assunto não pode ser verdade o “sim” e também o “não”. A verdade está no “sim” ou no “não”. A verdade, de fato, é uma.
A verdade é também poderosa. Se alguém quiser desmentir e afirmar que nem eu escrevi e nem você tenha lido, a verdade não mudaria, e quem o negasse erraria, enganar-se-ia. E mesmo que os negadores fossem numerosos, a força da verdade não sofreria em absoluto. Antes, mesmo que todos os homens da terra afirmassem, publicassem, filmassem e jurassem por toda a sua vida que eu não escrevi estas linhas e que você não as leu, tudo isso não seria suficiente para tirar nem mesmo um pouco do granito de verdade, ou seja, que eu escrevi, que você leu. E nem Deus cancela nem pode cancelar a verdade com um milagre, já que Ele mesmo é a Verdade por essência.
Como é grande o poder da verdade! Um poder verdadeiramente infinito, divino.
Também na religião. A questão não muda quando se refere às verdades religiosas. Na terra vemos numerosas confissões religiosas e existe a ideia, muito difundida, de que toda religião é boa. Porém não se pode estar de acordo com esta ideia.É verdade que muitos daqueles que não reconhecem nenhuma religião, ou professam uma outra, podem estar isentos de qualquer culpa diante de Deus, pelo fato de estarem plenamente convencidos de andarem no caminho certo; contudo também nas questões religiosas a verdade pode ser somente uma, e aqueles que têm convicções diferentes da realidade das coisas, erram. Só aquele que julga segundo a verdade tem uma verdadeira fé.
E assim, se é verdade que Deus existe, estão no erro os incrédulos, que afirmam que ele não existe. Por outro lado, se Ele não existisse estariam no erro todos aqueles que professam qualquer religião. Além disso, se é verdade que Jesus Cristo ressuscitou, é verdade aquilo que ensinou e que Ele é Deus encarnado; mas se Ele não tivesse ressuscitado, todas as confissões cristãs não teriam razão de existir.
Enfim, se Jesus se dirigiu a Pedro com as palavras: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16, 18), e desta forma deu o sinal para que cada um tenha a oportunidade de reconhecer sua Igreja entre as centenas de igrejas cristãs diferentes entre si, então só aqueles que se encontram na Igreja universal, católica, caminham pelo caminho verdadeiro, e tendem fielmente a Deus segundo o ensinamento da Igreja, têm a garantia de alcançar a felicidade eterna e até a paz e a alegria sobre esta terra.
O mesmo vale também para outros pontos das verdades religiosas, por exemplo: se é verdade que em Lourdes a Imaculada apareceu realmente a Bernadete, é certo que ela vive e ama os homens como uma verdadeira Mãe. Mas se esta aparição não tivesse acontecido, nós não teríamos a possibilidade de saber o que tal fonte nos disse da Imaculada; contudo, poderíamos basear-nos em outras fontes.
O reconhecimento da verdade. Ninguém pode mudar nenhuma verdade, pode-se somente buscar a verdade, encontra-la, reconhecê-la, conformar a ela a própria vida, caminhar na estrada da verdade em toda questão, sobretudo naquelas que se referem ao objetivo último da vida, o relacionamento com Deus, ou seja, nos problemas relativos à religião.
A felicidade duradoura. Não existe homem no mundo que não vá em busca da felicidade; antes, em todas as nossas ações a felicidade se apresenta a nós, de uma forma ou de outra, como o objetivo ao qual tendemos por natureza. Entretanto, uma felicidade que não estiver edificada sobre a verdade não pode ser duradoura, como não o é a própria mentira. Unicamente a verdade pode ser e é o fundamento inquebrantável da felicidade, tanto para o indivíduo como para a humanidade inteira.
(São Maximiliano Kolbe, dezembro de 1940 – janeiro de 1941)
** Do livro “Escritos de São Maximiliano Kolbe”, Editora PAULUS, pág. 1878-1880.
