O “único necessário”: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória… cheio de graça e de verdade”

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade”. (Jo 1,14)

Se, como ensina Santo Tomás de Aquino, Deus comunica à semelhança de seu Ser nas criaturas da Criação, então pode-se dizer que em tudo há sabedoria, há logos, porque o Logos é Divino. Deus é a Razão Eterna das razões eternas, que tudo avalia a partir de si mesmo, pois Ele é o próprio Ser.

Assim, no cosmos, na realidade, não há nada absolutamente sem sentido, sem sabedoria, e o que há de sem-sentido ou de absurdo, só há de certo modo, relativamente, como perversão ou negação correspondente à liberdade do homem em estado de queda e à ação diabólica, ambas permitidas por Deus em sua Bondade perfeitamente sábia. Neste caso, mesmo o “absurdo”, o “sem-sentido”, o “caótico” possuem um sentido compreensível, e por isto podem ser compreendidos em seu relativo modo de ser.

O Verbo Onipotente, Filho Eterno do Pai Eterno, com Ele coeterno na única Divindade, pelas razões de sua pura Sabedoria, que contém toda a sabedoria possível, e de sua pura Bondade, assume a natureza humana ao se encarnar no seio puríssimo do Virgem Maria, eleita desde toda a eternidade, na simultaneidade absoluta do ser divino, para receber a bondade da Maternidade Divina, destina a ser como que a Arca Sagrada que abriga a Palavra Divina vivente.

Enquanto Pessoa Divina, o Verbo é a Verdade vivente e vivificante, e, ao ser encarnar, é a Verdade Encarnada, vivente e vivificante, Jesus Cristo, o Deus-homem, que conquista a vida divina para o homem e a distribui àqueles que a desejam sinceramente, e que ao possuí-la definitivamente viverão eternamente como filhos de Deus, participantes, pela Eterna Misericórdia, de sua vida íntima, de superabundante e inesgotável felicidade, Verdade luminosa contemplada, Sabedoria belíssima vista face a face, o “único necessário”.

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