O que é verdadeiramente evidente não pode ser negado pela Sagrada Escritura e vice-versa

Um dos princípios do ser, que vale para todos os mundos possíveis, para toda a realidade, é que nada pode simultaneamente ser e não ser sob o mesmo aspecto. Como a verdade é o ser e o ser é a verdade, é uma lei do ser, uma necessidade absoluta de máxima extensão, que a verdade não pode contradizer a verdade. Se é impossível, não pode acontecer. Assim, se as palavras da Sagrada Escritura, quando corretamente compreendidas em seus verdadeiros significados, são palavras divinas que dizem verdades importantes, então tudo o que contradiz tais palavras só pode ser falso, e neste caso deve ser rejeitado, não deve ser acolhido, porque o valor, a bondade, está sempre na verdade.

Pela unidade da verdade, que é a unidade de Deus, a unidade do Ser, a unidade do Logos por meio do qual, ao modo de semelhança, tudo foi criado, o que é verdadeiramente evidente não pode ser negado pela Sagrada Escritura e vice-versa. Se há tal negação, ela só pode ser aparente, ou porque algo é enganosamente considerado verdade evidente, ou porque um sentido é enganosamente considerado como o sentido da Escritura, ou porque houve confusão. A realidade e a Sagrada Escritura são obras de Deus, e não podem se contradizer, pois em Deus não há contradição, não há absurdos, não há o sem-sentido, dado que Ele é o Logos, a plenitude do sentido, a pura Inteligência, a Razão Suprema, o Ser puríssimo com todo o seu imensurável esplendor e Beleza.

Por exemplo. É certo que nada pode surgir do nada, porque o nada significa ausência de ser e poder. É dito que Deus criou tudo do nada. Ora, parece haver aí uma contradição. Porém, não há contradição, se considero que o nada da criação não é o nada absoluto, a ausência total, e sim um nada relativo (uma ausência de criaturas), pois algo já havia antes da criação, no caso o próprio Deus como o Ser Eterno sem princípio nem fim, que no exercício de sua Bondade Onipotente faz surgir as criaturas.

Santo Tomás de Aquino diz: “Ora, negar em pouco que seja a autoridade da Escritura Sagrada é destituir de toda firmeza a nossa fé, já que ela se fundamenta na Sagrada Escritura, segundo o que está escrito: estas coisas foram escritas para que creias (Jo 20, 31).”

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