“Até quando, insensatos, amareis a tolice, e os tolos odiarão a ciência? Convertei-vos às minhas admoestações…”

Em Provérbios é dito: “Até quando, insensatos, amareis a tolice, e os tolos odiarão a ciência? Convertei-vos às minhas admoestações, espalharei sobre vós o meu espírito, eu vos ensinarei minhas palavras” (1,22-23).

A verdadeira ciência é amável e deve ser amada como bondade da Bondade Infinita, como verdade da Verdade Eterna. O ser, a ciência e a bondade pertencem ao Deus Onipotente, o Senhor absoluto sobre todas as coisas, que os concede a quem quiser, nas razões da Perfeitíssima Sabedoria. Assim, como é dito em Provérbios, há aqueles que “destetam a ciência sem lhe antepor o temor do Senhor”, pois “o princípio da sabedoria é o temor do Senhor” (9,10), o que inclui um reconhecimento de Deus pelo que Ele é e vale e um reconhecimento de si pelo que se é e vale. Não temer o Senhor é subestimar a Deus e superestimar a si mesmo, o que impede a posse da sabedoria, o que impede trilhar o caminho que conduz a ela. Sem o início não se pode chegar ao fim, sem o que é necessário para que algo se realize, ele não se realizará.

O ateu, como aquele que nega o verdadeiro Deus, pode possuir certos conhecimentos, inclusive de certas ciências, mas não possui verdadeira sabedoria, sempre sabedoria do ser, e assim é como uma mente obscurecida para o que realmente importa, para os valores supremos, o Bem Absoluto, no qual “vivemos, nos movemos e existimos”. Neste sentido, o ateísmo é um discurso sem inteligência a respeito de coisas importantes, com frutos maléficos para a vida humana e a sociedade. É dito em Provérbios: “comerão do fruto dos seus erros e se saciarão com seus planos, porque a apostasia dos tolos os mata e o desleixo dos insensatos os perde” (1,31-32).

Aqueles que vivem na sabedoria, em atenção aos seus conselhos, com a devida estima por suas palavras, estão envolvidos pela Sabedoria, que é o próprio Ser Onipotente, presente em todas as coisas como Divina Providência. Ela é como uma habitação, cheia de tranquilidade, a qual nenhum dano destruidor pode atingir. Assim, São Paulo Apóstolo ensina: “sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus”; e é dito em Provérbios: “Aquele que me escuta, porém, habitará com segurança, viverá tranquilo, sem recear dano algum” (1,33). E São João Apóstolo ensina: “o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade” (1,14). O Verbo é a Ciência Divina, a Sabedoria de Deus, o Ser Absoluto que possui desde toda a eternidade, de modo todo simultâneo, um Conhecimento Absoluto de si mesmo, e em si um conhecimento total de todas as coisas, da qual é o Primeiro Princípio, a Causa Total.  

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