
“Quando uma coisa não pode ser de outro modo senão como ela é, dizemos que é necessário que seja assim. E dessa necessidade derivam, de algum modo, todas as outras necessidades” (Aristóteles). Do mesmo modo que uma necessidade jamais é apenas uma necessidade, uma verdade e uma certeza jamais são apenas uma verdade e uma certeza.
Se o nada, enquanto ausência de ser, necessariamente nada pode, então necessariamente para o poder é exigido o ser. Se não há o ser, não há poder, porque do contrário seria afirmar o poder no nada, o que é impossível, contrário à razão.
Se o nada absoluto e o nada relativo, ausência parcial de ser, nada podem produzir, então uma coisa só pode ser produzida por outra coisa. Se há algo produzido, há algo que produz, o que é outro modo de dizer que, se há efeito, há causa, porque o efeito é algo que passou a existir, não por si mesmo, pois não existia, e sim por outro. É sem sentido algo criar a si mesmo, porque é afirmar que ele simultaneamente existia e não existia, o que é impossível, pois, na mesma coisa sob o mesmo aspecto, o ser e o não-ser se excluem necessariamente, quando simultâneos.
O nada não tem poder nenhum e assim não pode ser causa de nada. Só o ser tem poder, só no ser há poder. Como o poder é próprio do ser, o Ser em si é onipotente, pode tudo na totalidade do possível, porque do contrário haveria algum poder e alguma possibilidade fora do ser, portanto no nada, o que é impossível. Assim, realmente há a onipotência, o poder para todos os possíveis. Ante a impossibilidade do nada absoluto, do nada total, há o Ser Eterno, o Ser Necessário e o Ser Onipotente.
Na Sagrada Escritura, é dito em Eclesiástico (43): “O brilho das estrelas faz a beleza do céu; o Senhor ilumina o mundo nas alturas. À palavra do Santo estão prontas para o julgamento: são indefectivelmente vigilantes. Observa o arco-íris e bendiz aquele que o fez: é muito belo no seu resplendor. Faz a volta do céu num círculo de glória: são as mãos do Altíssimo que o estendem. O Senhor com uma ordem faz cair subitamente a neve, acelera a marcha dos raios de seu juízo. (…) “Diremos muitas coisas, porém faltarão palavras. Mas o resumo de nosso discurso é este: ele está em tudo. Que podemos nós fazer para glorificá-lo? Pois o Todo-poderoso está acima de todas as suas obras. O Senhor é terrível e soberanamente grande. Seu poder é maravilhoso. Glorificai o Senhor quanto puderdes, que ele ficará sempre acima, porque é admirável a sua grandeza. Bendizei o Senhor, exaltai-o com todas as vossas forças, pois ele está acima de todo louvor.”
E Maria Santíssima disse: “Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para sua pobre serva. Por isso, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo. (Lucas 1)”
