
São Paulo ensina que “há um só mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo, homem que se entregou como resgate por todos”. Certamente, isto é uma verdade da verdadeira fé. Porém, sem negá-la, pode-se falar de mediadores na única mediação de Cristo. Dois casos semelhantes nos permitem entender desse modo.
Primeiro: no Evangelho Cristo diz que “só Deus é bom” e em Gênesis é dito que tudo que Deus criou é bom. Como não há contradição na Escritura, esses ensinamentos devem ser entendidos de modo que exclua a contradição. Ora, certamente só Deus é bom no sentido em que somente Ele é Bom por essência, a própria Bondade. E certamente tudo o que Deus criou é bom, porém com bondade por participação, com bondade dependente e relativa.
Segundo: o mesmo pode ser dito com relação à Divindade. Certamente só há um Deus, porém esse Deus, em sua Bondade Onipotente, concedeu à sua criatura humana participar de sua Vida Divina, e assim o homem passa a ter a divindade por participação. Assim, como ensina as Escrituras, deu aos homens nascidos de novo pelo batismo no Espírito o poder de serem chamados filhos de Deus.
O mesmo vale para mencionada mediação. Cristo é o único Mediador, o único Sacerdote e a única Vítima do Calvário, porém, por sua vontade, em si possui mediadores, sacerdotes e vítimas participantes. A participação dos mediadores, sacerdotes e vítimas não nega a mediação que é só de Cristo, do mesmo modo que as bondades que há nas criaturas não negam a Bondade que é só de Deus e a Vida Divina concedida aos homens do Reino dos Céus não nega a Divindade que é só de Deus.
A este respeito, pode ser dito em comunhão com Escritura, como verdade importante do verdadeiro cristianismo: “Todas as graças, mesmo antes de vir ao mundo, Jesus as mereceu; o Espírito Santo as distribui nas almas, e Maria é o canal pelo qual essas graças foram derramadas, e serão derramados no mundo pelos séculos dos séculos”. (Beata Conchita).
Assim, a presença de Maria em Pentecostes corresponde à Providência Divina, e significa entre outras coisas que ela, como Mãe do Salvador e em sua união mística com o Espírito Santo, é a medianeira de todas as graças concedidas pela Divina Misericórdia em Cristo.
