
Santo Tomás ensina que “o mal é a privação daquilo que uma coisa está destinada a ter e que deve ter”.
Não há miséria que não possa ser suprimida, porque toda miséria é privação, toda privação é ausência, e toda ausência é ausência de algo. Assim, se não houvesse antes o ser, não poderia haver miséria. Como Deus é a plenitude do Ser, Misericórdia Divina é necessariamente onipotente com relação a toda miséria. Cristo disse à Santa Faustina: “Meu Coração está repleto de grande misericórdia para com as almas, e especialmente para com os pobres pecadores. Oxalá possam compreender que Eu sou para eles o melhor Pai, que por eles jorrou do Meu Coração o Sangue e a Água como de uma fonte transbordante de misericórdia. Para eles resido no Sacrário e como Rei de Misericórdia desejo conceder graças às almas (…) Oh! como é grande a indiferença das almas para com tanta bondade, para com tantas provas de amor. (…) para tudo têm tempo, apenas não têm tempo para vir buscar as Minhas graças” (367).
O mal não existe por si mesmo, porque é negação do bem, ausência do bem, oposto do bem, sem o qual não existiria. Se não há o bem, não há o mal. Pode haver o bem sem o mal, mas não o mal sem o bem. Não há mal absoluto, como há o Bem Absoluto, porque o mal absoluto seria o nada absoluto, a total ausência de ser, o que é impossível. Para o homem, o mal supremo é o inferno, ensinado por Cristo no Evangelho e confirmado como verdade de fé por sua verdadeira Igreja. Deus não predestina ninguém para o inferno, porque a Escritura diz que o Criador “não deseja a morte do pecador e sim que ele se converta e viva” (Ez 33) e “deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4). O destino eterno de cada pessoa passa pelo exercício da livre vontade. Assim, Santa Faustina diz: “Deus nunca força a nossa livre vontade. De nós depende se queremos aceitar a graça de Deus, ou não, se queremos colaborar com ela, ou desperdiçá-la” (1107).
Sobre o fim possível de cada pessoa, Santa Faustina teve a seguinte visão: “…vi duas estradas: Uma estrada larga, atapetada de areia e flores, cheia de alegria e de música e de vários prazeres. As pessoas caminhavam por essa estrada dançando e divertindo-se − estavam chegando ao fim, sem se aperceberem disso. E, no final dessa estrada, havia um enorme precipício, ou seja, o abismo do Inferno. Essas almas caíam às cegas na voragem desse abismo; à medida que iam chegando, assim tombavam. E seu número era tão grande que não era possível contá-las. E avistei uma outra estrada, ou antes uma vereda, porque era estreita e cheia de espinhos e de pedras, por onde as pessoas seguiam com lágrimas nos olhos e sofrendo dores diversas. Uns tropeçavam e caíam por cima dessas pedras, mas logo se levantavam e iam adiante. E no final da estrada havia um magnífico jardim, repleto de todos os tipos de felicidade e aí entravam todas essas almas. Já no primeiro momento, esqueciam de seus sofrimentos” (153).
