
“A felicidade humana não consiste nos deleites da carne”// “(…) 4.Além disso, a felicidade é um certo bem próprio do homem, pois os animais não podem ser ditos felizes, a não ser impropriamente. Ora, os deleites mencionados acima (os do alimento e os do sexo) são comuns aos homens e aos animais. Logo, neles não se pode colocar a felicidade.” (Santo Tomás de Aquino)
Os animais sentem o que podem sentir, o que o seu modo de ser lhes permite sentir. Pode experimentar dor ou prazer, medo ou irritação, enfim, sensações positivas ou negativas. Porém, os animais não podem propriamente ser dito felizes ou infelizes, porque a felicidade corresponde ao seu não-ser e, consequentemente, ao seu não-poder, dado que, em todas as coisas, para poder é necessário ser. O homem possui semelhanças e diferenças com os animais. Há nele animalidade e há nele racionalidade. Há nele corporalidade e há espiritualidade. Para ele há o sensível, como as cores que pode ver, e há o inteligível, como as verdades eternas que pode vislumbrar, há os deleites corporais e os deleites espirituais. Há prazeres, como os corporais, que são comuns aos homens e aos animais. A felicidade não pode estar nesses prazeres, porque se tivesse, os animais poderiam ser considerados felizes. Se é assim, a felicidade tem de estar naquilo que difere o homem do animal e não na semelhança, no que é comum entre eles.
A felicidade do homem está na realidade, no ser. Porém, não nas realidades inferiores a si e nas realidades inferiores de si, mas sim nas realidades superiores a si e nas realidades superiores de si, como, por exemplo, as espirituais e eternas e sua inteligência e vontade. Para a inteligência, os inteligíveis, as ideias divinas, a verdade, e para a vontade, as bondades e virtudes. Assim, para o homem: Deus, Verdade Eterna e Supremo Bem.
